Hospital da Mãe em São Gonçalo: obra parada há 13 anos tem promessa

A obra abandonada do Hospital da Mãe, em São Gonçalo, virou alvo de promessa de retomada para abrir uma maternidade regional de alta complexidade. A construção, localizada no bairro Colubandê, segue parada desde 2013 sem atender uma única gestante.

Retomada do Hospital da Mãe no Colubandê prevê 100 leitos

O anúncio de conclusão da estrutura foi feito pelo pré-candidato ao Governo do Estado Eduardo Paes (PSD), em visita ao canteiro nesta quinta-feira (24). A estrutura física começou a ser erguida ainda em 2012 pelo governo estadual, com entrega marcada originalmente para o ano seguinte. Passados mais de uma década, o prédio exibe sinais de abandono após receber mais de R$ 10 milhões em investimentos públicos.

Segundo a planta original, a unidade de saúde foi desenhada com cinco pavimentos e capacidade estimada em 100 leitos hospitalares. Do total de vagas, 36 seriam destinadas exclusivamente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. A meta do projeto era realizar 800 partos e cerca de 10 mil consultas especializadas a cada mês.

A falta dessa maternidade pública sobrecarrega a rede municipal e obriga moradores a buscarem socorro em cidades vizinhas. Casos graves e gestações de alto risco costumam ser transferidos para unidades em Niterói, gerando deslocamentos desgastantes em momentos de emergência obstétrica.

Como funciona o plano de expansão do Cegonha Carioca?

Além da promessa de destravar o esqueleto de concreto em São Gonçalo, o plano anunciado inclui levar o programa Cegonha Carioca para todos os 92 municípios do Rio de Janeiro. Criada em 2011 na capital fluminense, a iniciativa atende mulheres desde as primeiras consultas do pré-natal na rede básica até o pós-parto.

O programa ficou conhecido por oferecer visita guiada da gestante à maternidade de referência antes do nascimento, facilitando o reconhecimento da equipe e do caminho até o leito. O projeto também inclui ambulância própria para transporte gratuito na hora das contrações, equipe de enfermagem obstétrica dedicada e a entrega de uma bolsa com enxoval completo para o bebê.

De acordo com dados divulgados pela equipe do projeto na capital, o modelo já registrou mais de 1,5 milhão de atendimentos ao longo de mais de uma década de funcionamento na cidade do Rio. A meta de estender o serviço busca unificar a linha de cuidado materno-infantil em todo o território fluminense.

O que muda na rotina das mães de São Gonçalo?

Atualmente, as grávidas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) no segundo município mais populoso do estado encaram longas esperas e falta de vagas locais para procedimentos de risco. Se a obra for de fato finalizada, a estrutura terá 14 consultórios médicos, três salas preparadas para cesarianas e uma sala montada para partos normais humanizados.

A interrupção das obras do Colubandê já provocou cobranças formais na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), onde parlamentares apontaram a carência crítica de suporte para partos complexos na Região Metropolitana II. A promessa recente também foi atrelada a outros compromissos para a saúde, como a conclusão do Hospital do Câncer em Nova Friburgo, prevista na mesma agenda de campanha para entrega em 2027.

A reativação do Hospital da Mãe permitiria fixar os nascimentos na própria cidade, reduzindo a perda de tempo no trânsito da BR-101 e da RJ-104 em direção a Niterói ou ao Rio de Janeiro. A mudança traria alívio direto para famílias de bairros vizinhos como Alcântara, Mutondo e Jardim Catarina.

Onde buscar atendimento para gestantes na região hoje?

Enquanto a unidade do Colubandê permanece de portas fechadas, as gestantes do município continuam sendo acolhidas na rede de atenção básica e nas maternidades municipais existentes. Mulheres grávidas devem iniciar o acompanhamento médico logo nas primeiras semanas de gestação procurando a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o posto do programa Estratégia Saúde da Família (ESF) mais perto de casa.

  • Início do pré-natal: Postos de saúde municipais de São Gonçalo, abertos de segunda a sexta-feira, a partir das 8h. É necessário apresentar documento de identidade com foto, CPF e Cartão do SUS.
  • Urgência e trabalho de parto: A maternidade de referência municipal atual deve ser procurada imediatamente em caso de contrações regulares, perda de líquido ou sangramento.
  • Casos de alta complexidade: O encaminhamento para vagas de UTI neonatal e suporte avançado é realizado pela Central Estadual de Regulação (CER), com transferência direta para hospitais de apoio regional.
  • Dúvidas sobre o SUS: O cidadão pode pedir orientações sobre serviços e agendamentos pelo telefone 136, canal gratuito do Ministério da Saúde.

O cronograma oficial com datas de licitação, início das reformas e previsão de abertura das portas do Hospital da Mãe ainda depende da formalização de prazos e dotações orçamentárias nos próximos exercícios do governo estadual.

Limpatech