Horário eleitoral em SP: Tarcísio e Haddad têm tempos diferentes; Especialistas avaliam impacto e estratégias
O horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, iniciado nesta sexta-feira (28/8), representa um momento crucial para as campanhas dos candidatos ao governo de São Paulo. A propaganda em rede tem o poder de alcançar eleitores em todo o estado, influenciando a decisão de voto no primeiro turno das eleições.
A distribuição do tempo de propaganda, definida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), gerou disparidades entre os principais concorrentes. Tarcísio de Freitas (Republicanos) terá 6 minutos e 20 segundos, enquanto Fernando Haddad (PT) dispõe de 2 minutos e 39 segundos, totalizando 9 minutos diários divididos entre os candidatos às segundas, quartas e sextas-feiras.
Especialistas em marketing político e ciência política analisam como essa ferramenta, integrada a outras estratégias multimídia, pode impactar o cenário eleitoral paulista. Acompanhe os detalhes e as avaliações sobre o poder do horário eleitoral em São Paulo.
Estratégia Multimídia e Alcance Ampliado
A CEO do Ideia Instituto de Pesquisa, Cila Schulman, ressalta que o horário eleitoral hoje se insere em uma estratégia multimídia mais ampla. “A diferença é que hoje o horário eleitoral não é restrito à TV e ao rádio. Ele funciona numa visão muito 360 graus, que você assiste à propaganda na TV olhando na tela do seu celular”, explica Schulman.
Essa abordagem integrada significa que o eleitor é impactado simultaneamente por diferentes informações, e a propaganda televisiva e radiofônica se conecta com o que circula nas redes sociais e em outras plataformas digitais. Essa interconexão potencializa o alcance e a absorção das mensagens.
Foco e Estratégias dos Candidatos
No seu primeiro programa, Tarcísio de Freitas deve concentrar sua mensagem nas ações realizadas durante seu mandato, com destaque para as obras em São Sebastião, cidade afetada pelas fortes chuvas em 2023. A tragédia, que resultou em dezenas de mortes e milhares de desabrigados, ocorreu logo após o início de sua gestão.
Fernando Haddad, por outro lado, planeja contar com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu programa. A presença de Lula, juntamente com outros membros da chapa como o vice Márcio França e as candidatas ao Senado Marina Silva e Simone Tebet, visa reforçar a aliança e apresentar Haddad ao eleitorado paulista.
Avaliação de Especialistas sobre o Impacto
O cientista político Marco Antonio Teixeira, professor da FGV, considera o horário eleitoral um instrumento democrático, apesar de sua divisão ser baseada no tamanho dos partidos e coligações. Ele avalia que o tempo de propaganda é uma vantagem estratégica para atingir um público massivo.
Teixeira aponta que Tarcísio possui uma vantagem comparativa significativa. “Ele já tem uma vantagem comparativa enorme. Ele é um governador bem avaliado e está concorrendo contra um candidato de um partido que tem muita dificuldade para chegar no interior”, analisa o cientista político.
Para Haddad, o horário eleitoral, mesmo que menor, é uma via importante para alcançar o interior e eleitores que o partido teria dificuldade em atingir por outros meios. No entanto, Teixeira pondera: “o horário eleitoral gratuito se torna cansativo também, então, nada garante que a audiência seja grande e que as pessoas vão estar prestando atenção”, ressalta.
Pesquisas e o Cenário Eleitoral
As últimas pesquisas de intenção de voto indicam Tarcísio de Freitas à frente de Fernando Haddad. Um levantamento Ideia/ACSP mostrou Tarcísio com 50,6% das intenções de voto, contra 33,6% de Haddad. Outra pesquisa Quaest divulgada na semana passada confirmou Tarcísio como favorito, com 40% das intenções, ante 27% de Haddad.
Cila Schulman complementa que em São Paulo há um eleitorado com inclinação a reeleger o governador, o que favorece o incumbente. “Você tem um eleitorado que está querendo reeleger um governador, né? E o incumbente é o peão no tabuleiro da reeleição. Primeiro o eleitor decide se ele quer continuar, depois ele olha para as alternativas”, afirma Schulman.
A veiculação dos programas eleitorais segue até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Partidos que não atingiram a cláusula de barreira, como PCB, PCO, Agir, PSTU e UP, não terão direito à propaganda gratuita.














