Uma fiscalização contra a extração ilegal de palmito-juçara terminou com a prisão de um homem no interior da Reserva Biológica do Tinguá, na região de Jaceruba, no Rio de Janeiro. A ação foi realizada por fiscais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, em parceria com a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Nova Iguaçu.
A operação integra a chamada Operação Juçara, que teve início há cerca de seis meses a partir do monitoramento de uma trilha utilizada para acessar áreas de mata onde havia indícios recorrentes de crimes ambientais. Após o período de investigação, os agentes conseguiram localizar o ponto exato da extração ilegal.
Durante a fiscalização, o suspeito foi detido e 72 unidades de palmito-juçara foram apreendidas. No local, os agentes também encontraram 41 trabucos, munições, pólvora e um aparelho celular, que será submetido à perícia técnica para auxiliar nas investigações.
A retirada do palmito-juçara é proibida por lei, especialmente em unidades de conservação de proteção integral, como a Reserva Biológica do Tinguá. O homem foi autuado e recebeu multas ambientais que, somadas, chegam a R$ 75 mil.
Além dos impactos ambientais, as autoridades alertam para os riscos à saúde pública associados ao comércio clandestino do produto. Sem qualquer tipo de inspeção sanitária, o consumo do palmito extraído ilegalmente pode provocar doenças como salmonelose e outras infecções alimentares.
Sobre a ação, a chefe da reserva, Gisele Medeiros, destacou o trabalho contínuo de fiscalização.
“Essa ação é resultado de um trabalho contínuo de muitos meses de monitoramento na região. A extração ilegal do palmito-juçara causa danos irreversíveis à Mata Atlântica e representa risco à saúde da população”, afirmou.
Após a prisão, o suspeito foi encaminhado à Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde serão adotadas as medidas legais cabíveis. As investigações seguem para identificar outros possíveis envolvidos na rede de extração e comercialização ilegal do palmito.
O material apreendido foi recolhido e destinado aos órgãos competentes. Segundo os agentes, novas ações de fiscalização devem ocorrer na região para coibir a continuidade dos crimes ambientais.
“Seguimos firmes nas ações de combate aos crimes ambientais e na proteção dessa floresta, que é fundamental para a preservação dos mananciais hídricos que abastecem grande parte da Baixada Fluminense”, reforçou Gisele Medeiros.
Como unidade de conservação federal de proteção integral, qualquer forma de exploração de recursos naturais na área configura crime ambiental, com penalidades previstas em lei.
Sobre a palmeira-juçara
A palmeira-juçara é considerada uma espécie-chave para a manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica. Seus frutos e sementes servem de alimento para diversas espécies de mamíferos e aves, como cotias, antas, catetos, esquilos, tucanos, jacutingas, jacus, sabiás e arapongas, sendo fundamental para a regeneração da floresta.














