Homem é encontrado morto em clínica de reabilitação clandestina na Baixada

Rodney foi encontrado morto no dia 19 de abril

A Polícia Civil investiga a morte de Rodney Camilo Lésio, de 35 anos, em uma clínica de reabilitação clandestina localizada em Xerém, na Baixada Fluminense. O homem, que era autista nível 3 de suporte, foi encontrado morto dentro da piscina do estabelecimento no último dia 19 de abril.

Segundo familiares, a proprietária do local, identificada como Jéssica Adriana Washington da Silva, afirmou que Rodney teria sofrido uma convulsão antes da morte. A família, no entanto, contesta a versão apresentada e afirma que ele não possuía histórico de crises convulsivas.

Outro ponto que levantou suspeitas entre os parentes foi a forma como a responsável pela clínica se apresentou em uma unidade de saúde após acompanhar a vítima.

De acordo com o irmão de Rodney, Rodrigo Camilo Lésio, a mulher se identificou apenas como amiga ao dar entrada no hospital, mesmo sendo responsável pelo espaço onde o rapaz estava internado.

“O que mais me assustou é que, ao dar entrada com o acolhido que estava sob os cuidados dela, ela deu entrada como colega. Então assim, muito estranho, né? Uma responsável de uma clínica de tratamento para pessoas especiais, usuários de droga se identificar como amiga”, afirmou, em entrevista à TV Globo.

Segundo os familiares, após informar a morte de Rodney, a proprietária teria bloqueado o contato com os parentes. Eles relataram ainda que realizavam visitas frequentes ao local e que o rapaz aparentava estar bem.

O caso é investigado pela 62ª DP (Imbariê), responsável por apurar as circunstâncias da morte.

Paralelamente, a Delegacia do Consumidor (Decon) abriu investigação para verificar as condições de funcionamento da clínica de reabilitação clandestina.

Nesta quarta-feira (6), agentes realizaram uma fiscalização no imóvel e encontraram diversas irregularidades, segundo informou o delegado Wellington Vieira.

“Ela prestou depoimento e apresentou a versão para o que ocorreu. Mas, com certeza, um fator que ajudou nesses resultados foram as condições da clínica. Nós estamos apurando diversos crimes e agora a investigação segue em andamento para ouvir outras pessoas, inclusive os familiares desses dependentes químicos que estão internados nesse local”, declarou o delegado à Agenda do Poder.

Durante a operação, os policiais encontraram nove pessoas internadas no espaço, entre usuários de drogas e pacientes com transtornos psiquiátricos.

Ainda segundo a polícia, o local funcionava sem licença sanitária e sem alvará de funcionamento, sendo considerado totalmente irregular.

“A clínica é clandestina, não tem licença sanitária, não tem alvará de funcionamento. A atividade acontecia totalmente à revelia do poder público. Por isso, foi dado um prazo para a realocação dessas pessoas que estão no imóvel e essa clínica terá suas atividades encerradas”, explicou o delegado.

A responsável pelo estabelecimento já possui antecedentes criminais por furto, segundo a Polícia Civil. Ela deverá responder por falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão.

A Prefeitura de Duque de Caxias foi procurada para informar se realizava fiscalização no imóvel, mas ainda não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

Agora, a Polícia Civil aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML), que deverá apontar oficialmente a causa da morte de Rodney.

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