Homem baleado na cabeça por PM durante blitz na Zona Norte tem morte cerebral confirmada por hospital

Foi confirmada no final da manhã desta quinta-feira, a morte cerebral do técnico de radiologia e motorista de aplicativo Raphael Montovaneli, de 40 anos. Ele foi baleado com um tiro de fuzil na cabeça horas depois de assistir à partida entre Flamengo e Fluminense, no último domingo (18), no Maracanã. O acusado de ter feito o disparo é o policial militar Márcio Felipe dos Santos Ribeiro, lotado no 3º BPM (Méier) — que está preso.

Montovoneli estava internado no CTI do Hospital Federal do Andaraí. Por meio de nota, a unidade de saúde afirmou que “após avaliação clínica e término dos protocolos no fim da tarde de quarta-feira (21), foi constatada a morte cerebral do paciente Raphael Montovaneli. O mesmo estava internado na unidade, em estado gravíssimo, desde o último domingo (18), em decorrência de perfuração por arma de fogo no crânio”.

Raphael e pelo menos três amigos assistiram ao jogo juntos e depois foram para uma festa. A tragédia aconteceu quando o grupo voltava para casa.

 

De acordo com a PM, o condutor do veículo onde Raphael estava não obedeceu a uma ordem de parada. Em tentativa de abordagem, ainda segundo os militares, o motorista teria tentado fugir, e o policial atirou atingindo a vítima, que estava no banco de trás no lado direito do carro. “O veículo teria vindo em direção à guarnição em alta velocidade e um dos policiais efetuou um disparo de arma de fogo, atingindo um dos ocupantes”, afirmou a polícia.

Paulo Vicente da Costa, amigo do técnico em radiologia e que também estava no carro no momento em que Raphael foi atingido, desmente a versão da PM.

— Nós saímos do jogo do Flamengo e fomos beber uma cerveja na sede da Urubuzada (torcida organizada). Depois deixamos um amigo em casa e fomos embora pela Avenida Marechal Rondon. O sinal estava verde e o motorista acelerou para que ele (sinal) não fechasse. Nisso, já tinham duas viaturas da PM na esquina. Acho que eles (policiais) ficaram “escaldados” e já atiraram. Em nenhum momento, eles pediram para que parássemos. Quando eu olhei para o lado, Raphael estava todo ensanguentado e desmaiado — detalhou.

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