Os helicópteros que colidiram no Rio de Janeiro, no último domingo, já estavam sob monitoramento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por suspeitas de irregularidades em operações de transporte aéreo privado, segundo informações publicadas pelo jornal O Globo.
As aeronaves eram investigadas por possíveis indícios de prestação de serviço de táxi aéreo sem autorização, prática conhecida no setor como Transporte Aéreo Clandestino (Taca). A informação passou a integrar o conjunto de dados analisados pelas autoridades que acompanham o caso.
Apesar das apurações anteriores, a Anac informou que os dois helicópteros estavam em situação regular para operar na modalidade de aviação privada. A agência também ressaltou que, até o momento, não há evidência que relacione a natureza da operação ao acidente.
Denúncia anônima levou à abertura de investigação
Um dos helicópteros envolvidos na colisão, de prefixo PP-MAC, passou a ser investigado pela Anac após uma denúncia anônima recebida em 2025.
De acordo com documentos analisados pelo órgão regulador, havia suspeita de que a aeronave estivesse sendo usada para transporte remunerado de passageiros sem certificação para atuar como táxi aéreo.
A denúncia também mencionava possíveis problemas operacionais, incluindo alegações de manutenção vencida e inconsistências no diário de bordo em relação às horas totais voadas.
Com base nas informações recebidas, a Anac abriu um procedimento administrativo e solicitou documentos à empresa proprietária da aeronave, a Turfik Comércio de Frutas Ltda.
Durante a apuração, a empresa foi autuada por não apresentar, dentro do prazo, os documentos pedidos pela fiscalização. A agência aplicou multa por recusa de exibição de livros, documentos contábeis, informações ou estatísticas aos agentes fiscalizadores.
Além da penalidade, a Anac recomendou que a aeronave e o Aeroporto de Jacarepaguá fossem incluídos em ações presenciais de fiscalização. O órgão, porém, não informou o desfecho do procedimento nem se outras medidas foram adotadas depois.
Segunda aeronave também era acompanhada
O outro helicóptero envolvido no acidente, identificado pelo prefixo PR-DJJ, também estava no radar da Anac por suspeitas semelhantes.
Em fevereiro deste ano, fiscais registraram indícios de que a aeronave poderia estar sendo utilizada em transporte aéreo clandestino. As suspeitas surgiram durante ações da Operação VoeSeguro, voltada ao combate de práticas irregulares na aviação civil.
Segundo relatório da agência, movimentações observadas no Heliponto da Lagoa, na Zona Sul do Rio, em diferentes datas daquele mês chamaram a atenção dos fiscais.
Os registros feitos nos dias 13, 15, 18 e 19 de fevereiro resultaram na recomendação de acompanhamento mais rigoroso das operações envolvendo o helicóptero.
A partir dessas observações, a aeronave passou a integrar ações de monitoramento realizadas pela agência reguladora.
Anac afasta relação entre suspeitas e acidente
Mesmo com as investigações anteriores, a Anac destacou que as duas aeronaves tinham autorização para realizar voos privados.
Nesse tipo de operação, os helicópteros podem transportar proprietários, familiares, convidados ou pessoas ligadas às atividades particulares dos donos das aeronaves. No entanto, não podem realizar transporte remunerado de passageiros como atividade comercial.
A agência também afirmou que qualquer tentativa de associar as suspeitas investigadas anteriormente às causas da colisão seria precipitada.
A apuração sobre as circunstâncias do acidente segue em andamento, e ainda não há conclusões oficiais sobre os fatores que provocaram a tragédia.
Investigação do acidente está sob responsabilidade do Cenipa
A fiscalização da atividade aérea e do cumprimento das normas regulatórias cabe à Anac. Já a investigação técnica do acidente é conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira.
O trabalho dos investigadores busca identificar fatores operacionais, técnicos, meteorológicos ou humanos que possam ter contribuído para a colisão.
A Polícia Civil também acompanha o caso e reúne documentos, depoimentos e registros de voo para reconstruir a dinâmica do acidente.
Segundo informações divulgadas pelo g1, um dos helicópteros pertencia a um advogado que mantinha amizade com as vítimas que estavam a bordo. Esse ponto, de acordo com a investigação policial, afasta inicialmente a hipótese de prestação de serviço irregular de táxi aéreo naquela operação específica.
Concessionária aponta atribuição da Anac
Procurada para comentar o caso, a PAX Aeroportos, concessionária responsável pela administração do Aeroporto de Jacarepaguá, informou que sua atuação se limita à gestão da infraestrutura aeroportuária.
A empresa afirmou que a fiscalização das operações aéreas e do cumprimento das regras da aviação civil é responsabilidade da Anac.
Os proprietários das aeronaves não foram localizados para comentar as investigações ou responder às suspeitas levantadas nos procedimentos administrativos.














