O dançarino Gugu Hawaiano, integrante do grupo Os Hawaianos, afirmou ter sido vítima de agressões cometidas por policiais da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio. Ele contou que a abordagem aconteceu na última sexta-feira (19), em plena luz do dia e na frente de sua família, deixando-o com ferimentos que exigiram cinco pontos no rosto.
Segundo o artista, que também é dono de um bar na comunidade, os agentes o agrediram com socos no rosto e chutes nas costelas, além de proferirem ameaças. Ele relatou ainda que a violência teria sido motivada por preconceito contra sua aparência, já que mantém o cabelo tingido de vermelho desde os anos 2000, marca registrada de sua carreira.
Além dos ferimentos, Gugu diz estar enfrentando reflexos profissionais após o episódio. Ele afirmou que os contratantes passaram a reduzir os cachês do grupo Os Hawaianos, conhecido por sucessos que marcaram gerações no funk carioca e ainda movimentam bailes e plataformas digitais.
É um absurdo que um trabalhador da cultura tenha sido vítima de violência dessa gravidade, em plena luz do dia, diante da própria família e da comunidade. Essa operação aconteceu em horário escolar, quando havia crianças e famílias nas ruas, o que torna ainda mais urgente a apuração. O Ministério Público precisa exercer essa investigação, sobretudo à luz da ADPF 635, que estabelece parâmetros para evitar abusos e proteger vidas. Nossos encaminhamentos são fundamentais para garantir justiça e acolhimento, não apenas ao Gugu, mas a todos que sofrem com a truculência policial, declarou a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (CDDHC), deputada Dani Monteiro (Psol), em depoimento ao jornal O Dia.
A CDDHC informou que acompanhará o caso até que todas as medidas cabíveis sejam tomadas. O órgão vai oficiar a Polícia Civil e o Ministério Público, solicitando acesso às imagens das câmeras corporais dos agentes envolvidos e pedindo o devido controle da atividade policial.














