Greve de docentes da Uerj avança e professores cobram reajuste e direitos no segundo dia de paralisação, marcada por reivindicações relacionadas a salários, benefícios e orçamento da universidade.
A mobilização teve início no dia anterior, após decisão tomada em assembleia, e reflete um cenário de insatisfação acumulada entre os profissionais da instituição.
Entre as principais demandas estão a recomposição salarial, o retorno dos triênios, a correção inflacionária e a ampliação dos recursos destinados à universidade.
Segundo representantes da categoria, as dificuldades se intensificaram após a implementação do Regime de Recuperação Fiscal pelo governo estadual, que teria impactado diretamente a estrutura de remuneração dos docentes.
“Dentro desse regime [Recuperação Fiscal], em 2018, o regime de Dedicação Exclusiva dos docentes da Uerj foi consolidado não mais como adicional, mas como parte do salário, como vencimento básico, de modo que os benefícios recebidos pelos docentes deverão incidir no nosso salário total. Porém, nessa lei, foi instituído que os nossos benefícios de triênio viriam apenas no antigo vencimento base e não no salário total, o que faz a gente receber apenas 60% do que deveríamos”, explicou Gregory Magalhães Costa, presidente da associação de docentes, em declaração ao jornal O Dia.
De acordo com ele, mudanças posteriores no regime fiscal também não resolveram as distorções salariais, mesmo após notificações feitas ao governo.
“Essa lei é substancialmente prejudicial para a Uerj e o serviço público porque, hoje, as docentes que entram sem triênio estão evadindo da Uerj. A evasão de servidores a partir de 2022 é simplesmente alarmante, que vem distorcendo e esvaziando a função social da universidade”, afirmou.
A categoria também reclama da falta de diálogo com o governo estadual. Segundo os docentes, pedidos de negociação vêm sendo feitos há meses, sem retorno efetivo.
“Esse é o motivo da nossa greve. A gente não ter sido recebido para uma negociação. Nossas reivindicações são, sobretudo, uma recomposição imediata de 26%, a volta do triênio para todos os docentes, a incidência dos triênios na Dedicação Exclusiva no salário total e uma recomposição orçamentária da Uerj, que está extremamente defasada e vem causando prejuízos para toda a população fluminense”, completou.
Em nota, a universidade reconheceu os desafios enfrentados, destacando perdas salariais acumuladas e dificuldades no financiamento das atividades.
A instituição informou ainda que busca manter diálogo com diferentes setores para encontrar soluções que garantam o funcionamento adequado.
Já o Governo do Estado afirmou que trabalha para equilibrar as contas públicas e implementar políticas de valorização do funcionalismo, dentro das limitações impostas pelo cenário fiscal atual.
Enquanto isso, outras categorias dentro da Uerj também enfrentam impasses. Técnicos da universidade discutiram recentemente a possibilidade de aderir a um estado de greve, mas a assembleia terminou sem definição.
O movimento segue em andamento e deve continuar pressionando autoridades nos próximos dias, enquanto cresce a tensão entre servidores e governo.
E o que começou como uma paralisação pontual pode evoluir para um cenário mais amplo, com impactos diretos no funcionamento da universidade e na rotina de milhares de estudantes.














