A Polícia Civil cumpre nesta sexta-feira 15 ordens judiciais contra um grupo criminoso acusado de aplicar fraudes virtuais em série. Os investigados criavam contas no WhatsApp com fotos de familiares das vítimas para exigir transferências urgentes pelo Pix.
Central clandestina operava fraudes com perfis falsos no aplicativo
As ações judiciais concentram-se no cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva, cinco mandados de busca e apreensão domiciliar e cinco quebras de sigilo telemático. A apuração revelou que os suspeitos montaram uma verdadeira central de atendimento voltada exclusivamente para enganar trabalhadores e aposentados por meio de mensagens fraudulentas.
O método adotado pelos estelionatários segue uma rotina conhecida, mas que ainda faz dezenas de vítimas diariamente. Eles conseguem números de telefone e dados pessoais por meio de vazamentos na internet. Em seguida, baixam fotos públicas de redes sociais e cadastram uma nova linha telefônica, passando-se por um filho, neto ou irmão da pessoa visada.
Na mensagem enviada pelo aplicativo, o criminoso afirma que trocou de número por motivo de pane no aparelho antigo ou roubo. Pouco tempo depois do primeiro contato, surge um pedido urgente de dinheiro. A justificativa costuma ser o pagamento de um boleto vencendo naquele instante ou uma emergência médica, apelando diretamente para a preocupação da família.
O que já se sabe sobre o esquema investigado
De acordo com os investigadores da Polícia Civil, os mandados foram expedidos após o rastreamento das contas bancárias que recebiam o dinheiro desviado. O grupo usava contas de terceiros, conhecidas popularmente como contas de aluguel ou laranjas, para pulverizar o montante roubado em questão de minutos, dificultando o bloqueio judicial imediato.
Todo o esquema funcionava com divisão de tarefas definida. Enquanto parte dos criminosos cuidava da coleta de dados e do envio em massa das mensagens, outros ficavam responsáveis por sacar o valor ou converter os saldos em compras virtuais para apagar o rastro financeiro. As diligências apreenderam celulares, computadores e cartões de crédito que passarão por perícia técnica.
A investigação aponta que o alcance das fraudes superava as barreiras estaduais, lesando vítimas em diversas regiões do país que acreditavam estar socorrendo um parente próximo em situação de aperto financeiro.
O que fazer se você foi vítima desse tipo de crime
Se você enviou dinheiro para uma conta fraudulenta acreditando falar com um familiar, a velocidade da reação é essencial para tentar recuperar a quantia. O primeiro passo é acionar imediatamente o próprio banco e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução, ferramenta oficial criada pelo Banco Central para casos de fraude via Pix.
Guarde todas as provas possíveis do crime. Tire capturas de tela das conversas completas, do número de telefone que fez o contato, dos dados da chave utilizada e do comprovante bancário com data, horário e código de autenticação. Nenhum detalhe deve ser apagado do aplicativo.
Com esse material em mãos, registre a ocorrência na Polícia Civil. No Estado do Rio de Janeiro, o boletim pode ser feito pela internet na Delegacia Eletrônica da corporação ou presencialmente em qualquer delegacia de bairro, inclusive na Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.
Como denunciar suspeitos e linhas clonadas
Qualquer cidadão que tenha conhecimento sobre integrantes dessas quadrilhas ou locais usados como centrais ilegais de telefonia pode denunciar de maneira totalmente sigilosa. No Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, as informações podem ser encaminhadas ao Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177, com atendimento anônimo mantido durante as 24 horas do dia.
Além do canal telefônico, é fundamental denunciar a linha criminosa diretamente dentro da plataforma do aplicativo de mensagens. Ao receber a mensagem suspeita, o usuário deve selecionar o contato e marcar a opção de denúncia de golpe antes de bloquear o número, permitindo que a empresa desative a conta.
Especialistas reforçam a orientação básica para a rotina diária: nunca faça transferências bancárias solicitadas por mensagens de texto com suposta troca de número sem antes ligar a cobrar ou realizar uma chamada de vídeo para confirmar a identidade de quem está pedindo o valor.














