A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro cumpre mandados judiciais contra uma quadrilha acusada de desviar R$ 1,2 milhão de uma casa lotérica. A investida começou no Rio Grande do Sul e atinge endereços na capital fluminense nesta quinta-feira.
Esquema interestadual lavou fortuna roubada de lotérica
Agentes da Delegacia de Defraudações (DDEF) saíram às ruas cedo para cumprir um mandado de prisão preventiva e três ordens de busca e apreensão no Rio de Janeiro. A ofensiva faz parte da primeira fase da Operação Fortuna Reversa, deflagrada pela Polícia Civil gaúcha para sufocar uma rede criminosa especializada em invasões eletrônicas e lavagem de dinheiro.
As investigações começaram após o sumiço de uma bolada em Itaara, município do interior do Rio Grande do Sul. Criminosos acessaram os sistemas de uma casa lotérica local e causaram um rombo superior a R$ 1,2 milhão. O caso revelou uma engrenagem estruturada para fragmentar o dinheiro roubado em dezenas de contas bancárias por todo o país.
Ao todo, 41 pessoas são investigadas formalmente pela polícia por integrar o grupo. A estratégia consistia em espalhar pequenas fatias do valor furtado em contas de laranjas e empresas de fachada para despistar os órgãos de controle financeiro. A manobra tinha o objetivo claro de dificultar o rastreio e ocultar os verdadeiros chefes do esquema.
Além de alvos no território fluminense e no Rio Grande do Sul, a operação cumpre mandados simultâneos em Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraná, Maranhão e no Distrito Federal. O trabalho integrado contou com suporte técnico do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O que já se sabe sobre o esquema
O caso teve início na Delegacia de Polícia de Itaara assim que o proprietário da lotérica gaúcha constatou a perda milionária e formalizou a denúncia. A partir da quebra de sigilo bancário das primeiras transações, os investigadores descobriram que a movimentação do dinheiro não parou no Sul.
O grupo operava com operadores digitais e uma base de repasses que usava contas abertas em vários estados, incluindo o Rio. Esse método garantia que, mesmo se o banco bloqueasse uma das contas receptoras, a maior parte dos valores continuasse circulando e fosse sacada em espécie ou convertida em bens. Os nomes das pessoas procuradas no Rio não foram revelados porque as diligências ainda estão em andamento.
Na véspera, outra operação contra crimes digitais já havia atingido o Rio de Janeiro. Na quarta-feira, a Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) fez buscas em Jacarepaguá, na Zona Oeste, contra suspeitos de invadir linhas telefônicas de funcionários de bancos para saquear contas pela internet.
Como denunciar movimentações suspeitas
Informações que ajudem a polícia a localizar foragidos de esquemas financeiros ou empresas clandestinas de fachada podem ser enviadas diretamente aos canais anônimos de segurança pública. O cidadão não precisa se identificar.
- Disque Denúncia do Rio: telefone (21) 2253-1177, com atendimento 24 horas por dia e garantia absoluta de sigilo.
- WhatsApp do Disque Denúncia: (21) 2253-1177, canal direto para envio de mensagens, fotos ou dados de suspeitos.
- Delegacia de Defraudações (DDEF): funciona na Cidade da Polícia, localizada na Rua São Francisco Xavier, 84, no Jacarezinho, Zona Norte do Rio.
O que fazer se você foi vítima de golpe digital
Quem tiver a conta bancária esvaziada ou notar movimentações estranhas em serviços financeiros deve agir rapidamente para tentar recuperar os valores desviados:
- Ligue imediatamente para o banco: entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da sua instituição financeira e solicite o bloqueio emergencial da conta e das transações via Pix contestadas, anotando o protocolo.
- Registre o boletim de ocorrência: o registro pode ser feito sem sair de casa pela Delegacia Online da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (dedic.pcerj.rj.gov.br) ou presencialmente na delegacia mais próxima de sua residência.
- Junte todos os comprovantes: guarde extratos, capturas de tela das mensagens com os golpistas, dados das contas favorecidas e comprovantes de transferências para apresentar aos investigadores.















