O comandante de um batalhão da Polícia Militar da Zona Sul do Rio de Janeiro, coronel Ângelo Barbosa Castro, foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta manhã. A ação foi deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro em conjunto com a Corregedoria da corporação.
As equipes estiveram no gabinete do oficial dentro da unidade militar e em endereços ligados a ele. O objetivo da medida é recolher documentos, aparelhos eletrônicos e eventuais mídias que ajudem a instruir uma investigação que corre em sigilo.
Operação mira oficial da PM na Zona Sul em investigação sigilosa
A ofensiva do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), coordenada pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), mira possíveis irregularidades cometidas no exercício da função pública. Agentes da Corregedoria Geral da Polícia Militar deram apoio direto no cumprimento das decisões judiciais expedidas pela Justiça Militar e por varas criminais da capital fluminense.
Durante a manhã, a movimentação de viaturas descaracterizadas e viaturas oficiais chamou a atenção de quem passava pelo entorno do quartel. Policiais recolheram telefones celulares funcionais, computadores e pastas com relatórios internos. Todo o material apreendido passará por perícia técnica nos próximos dias para a extração de dados e conversas institucionais.
Até o momento, o Ministério Público não detalhou a linha exata dos crimes apurados para não atrapalhar o andamento das diligências em curso. Segundo interlocutores ligados ao procedimento, a apuração apura denúncias de desvio de conduta e favorecimento indevido em áreas comerciais e turísticas cobertas pelo batalhão da Zona Sul.
O que já se sabe sobre a apuração?
O oficial investigado, o coronel Ângelo Barbosa Castro, estava à frente da unidade responsável pelo policiamento ostensivo em pontos estratégicos e de grande fluxo da região sul da capital. A investigação teve início a partir de dados colhidos pelo setor de inteligência da própria Polícia Militar, que acionou o órgão ministerial após identificar inconsistências em procedimentos de patrulhamento.
Nenhum mandado de prisão preventiva ou temporária foi expedido nesta fase da operação. Trata-se exclusivamente de medida cautelar de busca e apreensão para coletar elementos de prova que confirmem ou descartem as suspeitas levantadas. A Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que colabora integralmente com as apurações do MPRJ e acompanha os desdobramentos de forma institucional.
Como fica o policiamento na região nos próximos dias
A Secretaria de Estado de Polícia Militar garantiu que as ações operacionais nas ruas da Zona Sul não sofrem nenhuma interrupção. O patrulhamento de rotina, as rondas em vias comerciais e os pontos de bloqueio em corredores de grande circulação continuam funcionando na escala habitual dos agentes de base.
Em casos de investigações formais contra comandantes de unidade, o procedimento administrativo padrão do comando-geral prevê o afastamento cautelar do investigado do cargo. Essa medida busca assegurar a lisura da apuração, além de garantir a continuidade do serviço da tropa sem interferências hierárquicas. Um substituto imediato ou um oficial interino deve assumir a gestão da unidade nos próximos dias, conforme determinação publicada em Boletim Interno.
Quem responde por isso e como acompanhar
O caso está sob responsabilidade do Gaeco, estrutura do MPRJ especializada em crimes complexos, com apoio da 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria Militar. A Corregedoria Interna da Polícia Militar abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para avaliar a permanência e a conduta funcional do oficial.
Caso a apuração aponte indícios suficientes de crime militar ou comum, uma denúncia formal será apresentada à Justiça. A defesa do comandante não havia se pronunciado até o fechamento desta reportagem. A matéria será atualizada assim que os advogados ou a assessoria do oficial se manifestarem sobre os mandados cumpridos.
Como denunciar irregularidades envolvendo servidores
Moradores e comerciantes que presenciarem desvios de conduta, pedidos de propina ou omissão no serviço de segurança pública podem fazer denúncias anônimas pelos canais oficiais de fiscalização:
- Disque Denúncia do Rio de Janeiro: telefone (21) 2253-1177, com atendimento telefônico ou por mensagens pelo WhatsApp. O anonimato é garantido 24 horas por dia.
- Corregedoria Geral da Polícia Militar: telefone (21) 2725-9098 ou diretamente na sede administrativa, além do canal eletrônico da Ouvidoria da PMERJ.
- Ouvidoria do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro: disque 127 (ligação gratuita dentro do estado) ou pelo formulário no portal oficial do MPRJ para relatos de improbidade e crimes cometidos por agentes de segurança.













