Globo indenizará goleiro após reprises de falha em 2020

A Justiça determinou que a Globo indenizará goleiro Alexandre Cajuru em R$ 30 mil após o jogador entrar com ação por danos morais. O motivo foi a repetição constante, na programação do SporTV, de uma falha cometida pelo atleta em 2020, quando defendia o CSA em jogo contra a Ponte Preta, pela Série B.

O recurso da emissora foi negado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que manteve a decisão anterior. Segundo a ação movida por Cajuru, a Globo teria explorado excessivamente o erro do goleiro, exibindo o lance em diversas ocasiões mesmo anos após o ocorrido, o que teria causado constrangimento público e danos à imagem do atleta.

O lance em questão aconteceu quando o jogador não conseguiu defender um chute considerado simples, de longa distância. O erro resultou em um gol para o time adversário e ficou marcado como um dos episódios mais lembrados da sua carreira — algo que foi potencializado pelas constantes reprises na televisão.

A defesa de Cajuru argumentou que a repetição exagerada do vídeo não tinha mais valor jornalístico e ultrapassava os limites do direito à informação. Para seus advogados, a atitude da emissora configurou exposição vexatória e desproporcional, atingindo diretamente a dignidade profissional do goleiro.

A Globo, por sua vez, alegou que a exibição do lance estava dentro do exercício da liberdade de imprensa e que o conteúdo fazia parte de retrospectivas e programas de análise esportiva. A empresa tentou reverter a condenação por meio de recurso, mas não teve sucesso.

O tribunal entendeu que houve, sim, excesso por parte da emissora ao repetir o vídeo diversas vezes ao longo dos anos, mesmo após o fato ter perdido relevância esportiva. A decisão considerou o impacto psicológico e profissional que a exposição contínua causou ao jogador.

A sentença estabelece que a Globo indenizará goleiro Alexandre Cajuru no valor de R$ 30 mil por danos morais. A quantia deverá ser paga à vista, e não cabe mais recurso no âmbito estadual.

Alexandre Cajuru, atualmente com 32 anos, declarou que sua intenção ao entrar com a ação não era se vingar, mas sim fazer valer o respeito à imagem dos atletas. Em entrevistas anteriores, o goleiro afirmou que lidou com zombarias nas redes sociais e dificuldades em sua carreira após o episódio viralizar.

O caso acende um debate sobre os limites da cobertura esportiva, especialmente quando envolve falhas humanas. Especialistas jurídicos apontam que há uma linha tênue entre o jornalismo esportivo e o sensacionalismo, e que o uso recorrente de imagens humilhantes pode configurar abuso de direito.

Para Cajuru, a vitória na Justiça representa uma reparação importante não só para ele, mas também para outros atletas que enfrentam exposição negativa de forma contínua e desnecessária. O episódio também serve como alerta para veículos de comunicação sobre o tratamento de erros em transmissões esportivas.

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