Gladys Nunes é presa em operação sobre rachadinha na Câmara de Búzios durante ação realizada na manhã desta terça-feira (24). Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) cumpriram mandado de prisão e de busca e apreensão no âmbito da Operação Quinhão Público.
A investigação apura supostos crimes de associação criminosa e peculato relacionados à prática de “rachadinha” entre 2017 e 2020, período em que a ex-vereadora exercia mandato no Legislativo municipal.
Segundo a denúncia, assessores lotados no gabinete realizavam saques de parte — e, em alguns casos, da totalidade — dos salários para repassar à então parlamentar. As apurações indicam a existência de 87 depósitos em espécie, que somam R$ 206.013,37, considerados incompatíveis com os rendimentos declarados à época.
Ex-assessores relataram ao Ministério Público que os repasses seriam exigidos como condição para permanência nos cargos. Parte dos investigados firmou acordos de colaboração durante o andamento das investigações.
Durante o cumprimento dos mandados, um celular da ex-vereadora foi apreendido. De acordo com o promotor Rafael Dopico, inicialmente foi informado que o aparelho não estaria na residência. Após cerca de duas horas de buscas, o telefone foi localizado escondido no forro de um armário no quarto.
O promotor ressaltou que a atuação do Ministério Público ocorre de forma técnica e independente, sem vínculo político-partidário, e que a apuração se baseia em indícios reunidos ao longo da investigação.
No momento da prisão, Gladys criticou o prefeito Alexandre Martins e afirmou estar sendo vítima de perseguição política. O mandado, no entanto, refere-se a fatos investigados do período em que ela exercia mandato na Câmara.
Como já havia sido relatado anteriormente pelo Povo na Rua, o caso envolvendo suspeitas de rachadinha na Câmara de Búzios vinha sendo acompanhado desde as primeiras denúncias. A prisão marca uma nova etapa nas investigações que agora seguem para análise do Judiciário.
A denúncia será apreciada pela Justiça, que decidirá sobre o recebimento da ação penal e os próximos desdobramentos. Em Búzios, o episódio reacende discussões sobre ética, responsabilidade e transparência no exercício do mandato público — um tema que segue gerando repercussão nos bastidores políticos da cidade.














