Os gastos da Câmara de Cabo Frio realizados durante a gestão de Miguel Alencar, entre 2021 e 2024, passaram a ser investigados após a divulgação de despesas consideradas atípicas e contratos firmados com empresas apontadas como suspeitas.
De acordo com levantamento publicado pela coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles, o Legislativo municipal teria desembolsado cerca de R$ 13 milhões com serviços e fornecimentos que agora estão sob análise do Ministério Público.
Entre as despesas que mais chamaram atenção está a compra de quase duas toneladas de álcool em gel, ao custo de R$ 277,6 mil. O volume foi comparado a outras casas legislativas, como a Câmara Municipal de Curitiba, que gastou aproximadamente R$ 8 mil para adquirir 400 quilos do produto no mesmo período.
Parte das aquisições teria sido feita junto a empresas que encerraram atividades após o fim do mandato de Alencar como presidente da Câmara. Uma delas, registrada em nome de Rayssa Fernandes Martins, recebeu mais de R$ 208 mil pela venda de álcool em gel, embora conste na Receita Federal como organizadora de eventos e feiras.
Outra contratação questionada envolve a digitalização de documentos. Uma única empresa recebeu mais de R$ 830 mil pelo serviço, sem detalhamento do número de páginas convertidas. Como parâmetro, a Câmara do Rio pagou R$ 127,8 mil para digitalizar 387,5 mil páginas.
Segundo a apuração, se o custo por página fosse semelhante ao praticado na capital fluminense, o valor desembolsado em Cabo Frio permitiria a digitalização de cerca de 2,5 milhões de páginas.
A mesma empresa teria recebido ainda R$ 958,7 mil por serviços variados, como fornecimento de etiquetas, manutenção predial e serviços gráficos, apesar de funcionar em endereço residencial.
O levantamento também aponta gastos superiores a R$ 550 mil para a impressão de 38.460 exemplares do regimento interno da Câmara e cerca de R$ 951 mil em contratos para limpeza de fossas, com alternância entre empresas de objetos sociais considerados incompatíveis com os serviços.
Das 25 empresas mencionadas na apuração, 13 teriam encerrado as atividades após o término da presidência de Alencar. Juntas, elas receberam aproximadamente R$ 12,8 milhões em contratos públicos.
Miguel Alencar presidiu a Câmara antes de integrar a chapa vitoriosa encabeçada por Dr. Serginho nas eleições municipais. Até o momento, não houve manifestação pública do atual vice-prefeito sobre o caso.
As investigações seguem em andamento — e o desfecho pode trazer novos esclarecimentos sobre a legalidade dos contratos firmados no período analisado.














