Franklin Martins detido no Panamá foi o episódio relatado pelo próprio jornalista e ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social do Governo Federal após uma viagem internacional na última sexta-feira (6). Ele afirmou ter sido abordado por agentes de imigração durante uma conexão na Cidade do Panamá e acabou sendo deportado de volta ao Rio de Janeiro.
Martins seguia viagem para a Guatemala, onde participaria de um seminário acadêmico. Segundo relato encaminhado ao Ministério das Relações Exteriores e divulgado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o jornalista teve o passaporte retido logo após desembarcar no aeroporto panamenho.
De acordo com o ex-ministro, agentes à paisana o conduziram para uma sala reservada da área de imigração. No local, ele foi informado de que precisaria passar por uma entrevista.
“Quando entreguei meu documento, um dos agentes dirigiu-se ao seu colega (provavelmente seu superior) e entregou-lhe o passaporte. Imediatamente o policial pediu-me que o acompanhasse. Perguntei-lhe o motivo. Respondeu apenas que precisava fazer uma entrevista comigo”, contou Franklin Martins em relato reproduzido pela ABI.
O jornalista relatou que foi levado para uma sala que possuía uma parede de vidro espelhado, onde outras pessoas poderiam acompanhar o interrogatório sem serem vistas. Durante o procedimento, ele preencheu um formulário com dados pessoais, respondeu a diversas perguntas e teve fotografias e impressões digitais coletadas mais de uma vez.
Franklin explicou aos agentes que estava a caminho da Guatemala para participar, durante três dias, de um seminário promovido pela Universidade Rafael Landívar. O encontro tinha como tema “Reconstruindo estados de bem-estar social nas Américas”.
Durante o interrogatório, segundo o próprio relato, os policiais demonstraram interesse especial em um episódio de sua vida ocorrido durante a ditadura militar brasileira.
“Deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela – e isso não era um crime, mas um dever para os democratas”, disse Franklin.
Após cerca de 20 minutos aguardando sozinho, o jornalista afirmou que foi informado de que não poderia seguir viagem para a Guatemala. Segundo ele, os agentes mencionaram a Lei de Migração do Panamá, criada em 2008, que restringe a entrada ou trânsito de estrangeiros que tenham cometido crimes considerados graves.
“Seria deportado de volta para o Brasil no primeiro voo com destino ao Rio de Janeiro. Perguntei-lhe a razão. Ele tampouco explicou claramente. Como seu colega, voltou a falar na Lei de Migração de 2008. Disse que ela determinava que estrangeiros não poderiam entrar no Panamá ou fazer conexões para outros países através do Panamá se tivessem cometido crimes considerados graves, como tráfico de drogas, crimes financeiros, assassinatos, sequestros etc. Mais uma vez afirmei que não havia cometido crime algum, mas lutado contra uma ditadura. E me orgulhava disso”, afirmou o ex-ministro.
Martins contou ainda que tentou entrar em contato com a embaixada brasileira, mas o pedido não teria sido autorizado. Em seguida, ele foi levado para outra sala da área de migração, onde permaneceu por aproximadamente quatro horas.
Durante esse período, segundo o jornalista, agentes voltaram a coletar fotografias e impressões digitais. Ele relatou ainda que ouviu dos policiais que as regras de segurança migratória do país teriam sido reforçadas após acordos firmados com os Estados Unidos em 2025.
Após os procedimentos, Franklin Martins foi colocado em um voo com destino ao Rio de Janeiro. O passaporte só foi devolvido quando ele já estava de volta ao Brasil.
“Uma observação final: é evidente que não se tratou de uma operação fortuita. Ela foi planejada, provavelmente a partir do cruzamento de informações das bases de dados panamenhas e/ou norte-americanas – a cooperação entre os órgãos de segurança dos dois países é intensa – com os nomes dos passageiros do voo. Não creio que se tratou de uma perseguição à minha pessoa. Devem estar adotando esse procedimento como um padrão. Talvez seja um sinal dos tempos turbulentos que estamos vivendo”, disse Franklin Martins na mensagem enviada ao Itamaraty.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores foi questionado sobre o episódio, mas não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
O caso envolvendo Franklin Martins detido no Panamá chamou atenção nos bastidores da política e da diplomacia brasileira e levanta questionamentos sobre os critérios adotados em procedimentos migratórios internacionais. E os desdobramentos desse episódio ainda podem trazer novas explicações nos próximos dias.














