FLIP 2024: Especialistas Pedem Fim de Velhas Soluções para Salvar o Rio de Janeiro da Violência e Desigualdade
A Feira Literária Internacional de Paraty (FLIP) foi palco de um debate crucial nesta sexta-feira (24) sobre o futuro do Estado do Rio de Janeiro. Especialistas renomados se reuniram para discutir os desafios que o estado enfrenta, com um consenso claro: é hora de abandonar as velhas soluções e adotar novas estratégias baseadas em dados, investigação e combate à desigualdade.
Durante o encontro intitulado “O Rio tem jeito?”, Fátima Giambiagi, Cecília Olliveira, Raull Santiago e Ricardo Henriques destacaram a Segurança Pública como o principal eixo que deve nortear todas as políticas públicas de desenvolvimento do estado. A urgência em repensar as abordagens se torna ainda mais evidente diante da expansão das facções criminosas e milícias.
Os participantes enfatizaram que as respostas aplicadas por décadas não têm sido suficientes para lidar com a complexidade dos problemas fluminenses. A necessidade de políticas que vão além da lógica puramente policial foi um tema recorrente, apontando para a importância de ações sociais e de inteligência.
Conforme informação divulgada no debate, o Estado do Rio de Janeiro precisa urgentemente romper com métodos ultrapassados para superar seus desafios. A Segurança Pública foi apontada como o eixo definidor para novas políticas de desenvolvimento, com foco em dados, investigação e redução das desigualdades.
Segurança Pública: Eixo Central para o Futuro do Rio
A Segurança Pública*foi amplamente discutida como um tema decisivo para as disputas eleitorais futuras. Especialistas como Cecília Olliveira, autora de “Como Nasce um Miliciano” e fundadora do Instituto Fogo Cruzado, apresentaram alternativas ao modelo de confronto. Olliveira destacou a importância de operações baseadas em investigação, dados e inteligência, que, segundo ela, têm sido “desprezados” nas políticas estaduais.
A jornalista também alertou para a mudança do papel do Brasil no tráfico internacional de drogas. O país deixou de ser apenas uma rota e se tornou um protagonista global na produção e refino. Olliveira criticou a responsabilidade do Estado na criação das estruturas criminosas: “Todas as facções foram criadas com o nosso dinheiro, dentro do sistema penitenciário. Nós financiamos isso e agora financiamos o combate a algo que nós criamos, alimentamos e fermentamos”, afirmou.
Periferias como Espaços de Soluções e Democracia Radical
O ativista Raull Santiago, fundador do Instituto Papo Reto, trouxe uma perspectiva fundamental sobre o impacto da violência nas periferias. Ele ressaltou que a fragmentação territorial do Rio é resultado de escolhas políticas históricas. Santiago defendeu que as periferias devem ser reconhecidas como espaços de produção de soluções, contrastando com a lógica policial de ocupação.
“Na favela, a gente não fragmenta. A gente costura, cria pontes, dá o braço. A favela constrói soluções para crises”, declarou Santiago, enfatizando a resiliência e a capacidade criativa das comunidades. A visão de Santiago se alinha à de Ricardo Henriques, presidente do Instituto Unibanco, que relacionou os desafios do Rio à crise democrática brasileira.
Henriques defendeu a radicalização da democracia como caminho para enfrentar a violência e a organização de milícias e da extrema direita. “Se for viável um novo Rio, talvez seja viável um novo Brasil”, pontuou, sugerindo que a recuperação do estado pode ser um modelo para o país.
Desafios Estruturais e a Necessidade de Planejamento
O economista Fábio Giambiagi, especialista em contas públicas e desenvolvimento econômico, trouxe uma reflexão sobre os desafios estruturais da administração estadual. Ele abordou a importância de recuperar a capacidade de planejamento do governo para implementar políticas públicas eficazes e sustentáveis a longo prazo.
A conclusão do debate foi unânime: a reconstrução do Rio de Janeiro depende de uma sinergia entre segurança pública eficiente, investimento social robusto, fortalecimento institucional e uma forte capacidade de enfrentar as estruturas criminosas que expandiram sua influência econômica e política. A mudança é urgente e exige um rompimento com as práticas do passado.














