O comércio de produtos falsificados no Rio de Janeiro continua em expansão e preocupa autoridades e consumidores. Apenas nos quatro primeiros meses de 2025, mais de 112 mil itens foram apreendidos em operações da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). As mercadorias vão desde roupas e eletrônicos até alimentos e bebidas adulteradas, que representam sérios riscos à saúde pública.
Esse mercado ilegal, que antes se concentrava em camelôs e feiras populares, agora invade supermercados, restaurantes e até serviços de entrega. Produtos como sabão em pó, café, azeite e bebidas alcoólicas estão entre os mais visados pelas quadrilhas, que investem em tecnologia para imitar embalagens originais e enganar o consumidor.
O delegado Victor Tutman, da DRCPIM, explica que o crime está cada vez mais sofisticado: “Uma máquina para embalar café custa cerca de R$ 2,5 milhões. As falsificações são tão bem feitas que só especialistas percebem a diferença. Por fora, tudo parece original, mas o conteúdo viola padrões de qualidade”, afirmou em depoimento ao jornal O Dia.
Além dos prejuízos às marcas e à economia formal, essas práticas alimentam organizações criminosas. Investigações apontam que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) utilizam a venda de produtos falsificados para financiar outras atividades ilegais. Cristiane Foja, presidente da Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe), alerta para o perigo: “O crime organizado não tem pudor. Já encontramos bebidas com altos níveis de metanol e até solventes perigosos. É uma ameaça direta à saúde”, disse em depoimento ao jornal O Dia.
Entre os casos recentes, destaca-se a descoberta de uma fábrica clandestina em Guaratiba, onde azeites proibidos eram reembalados e vendidos como se fossem de marcas conhecidas. Em outra operação, na Tijuca, agentes localizaram um depósito com milhares de garrafas de cerveja adulteradas, comercializadas por aplicativos de entrega.
A Secretaria Estadual de Defesa do Consumidor também intensificou as fiscalizações. Em 2024, mais de 90 toneladas de artigos falsificados de limpeza foram apreendidas. O secretário Gutemberg Fonseca reforça a importância da denúncia: “Estamos atuando para combater essa prática que coloca vidas em risco. Quem desconfiar da origem de um produto deve acionar nossos canais de atendimento”, afirmou.
Para ajudar os consumidores, entidades como a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) disponibilizam aplicativos que permitem verificar a autenticidade de selos e embalagens. A Unilever, por sua vez, adotou tecnologias importadas para dificultar a falsificação de seus produtos.
A orientação é que o público fique atento a preços muito abaixo do mercado, embalagens com lacres irregulares ou informações divergentes nos rótulos. Outra dica importante é descaracterizar garrafas e embalagens antes do descarte, dificultando o reaproveitamento por criminosos.
Enquanto as autoridades seguem no combate à pirataria, a população tem papel fundamental na prevenção, optando sempre por locais de compra confiáveis e denunciando irregularidades. A expectativa é que, com o reforço das operações e a conscientização dos consumidores, o avanço do mercado ilegal seja contido nos próximos meses.














