Fim do pagamento em dinheiro nos ônibus de Niterói ganha apoio de sindicato

Ônibus em Niterói

O pagamento em dinheiro nos ônibus de Niterói voltou ao centro das discussões após a Prefeitura do Rio confirmar o fim das cédulas nos coletivos municipais. Do outro lado da Baía de Guanabara, o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários, o Sintronac, passou a defender com mais força a retirada definitiva do dinheiro em espécie dos ônibus da cidade.

Segundo a entidade, a medida é reivindicada há pelo menos dez anos e teria impacto direto na segurança de motoristas, cobradores e passageiros. Para o sindicato, a presença de dinheiro nos coletivos continua sendo um atrativo para assaltos e aumenta a vulnerabilidade dos trabalhadores durante a operação das linhas.

O presidente do Sintronac, Rubens dos Santos Oliveira, afirma que a retirada das cédulas também ajudaria na gestão do transporte público, já que permitiria um acompanhamento mais preciso da movimentação de passageiros e da demanda em cada trajeto.

“O fim da circulação de dinheiro ajuda a evitar assaltos e melhora o controle operacional do sistema. Tanto o poder concedente quanto as empresas conseguem acompanhar melhor quais linhas têm mais passageiros e quais precisam de remanejamento”, afirma o dirigente sindical.

De acordo com o Sintronac, a proposta já foi encaminhada aos 13 municípios que fazem parte de sua base de atuação. Além de Niterói, a lista inclui São Gonçalo, Itaboraí, Maricá e cidades da Região dos Lagos.

Atualmente, os ônibus municipais de Niterói ainda aceitam pagamento em dinheiro e também por meios eletrônicos, principalmente pelo cartão Riocard Mais.

O Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro, o Setrerj, que representa os consórcios Transnit e Transoceânico, informou que a Prefeitura de Niterói já tem acesso aos dados operacionais e financeiros do sistema.

Em nota, a entidade afirmou que o município acompanha diariamente informações como número de passageiros transportados, gratuidades e arrecadação das empresas por meio de um painel de controle. O Setrerj também destacou que uma eventual decisão sobre o fim do dinheiro em espécie cabe exclusivamente à administração municipal.

Ainda segundo o sindicato patronal, os passageiros já contam com diferentes formas de recarga do Riocard Mais, incluindo lojas físicas, máquinas de autoatendimento, aplicativo e WhatsApp. Os créditos podem ser comprados com dinheiro, cartão de débito, cartão de crédito ou Pix.

A discussão ganhou força depois que a Prefeitura do Rio decidiu encerrar o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais. A medida, inicialmente prevista para 30 de maio, passou a ter nova data de início em 28 de junho, dentro da implantação definitiva do sistema de bilhetagem digital Jaé.

Na capital, os passageiros deverão utilizar cartões, QR Codes ou aplicativo para embarcar nos coletivos. A mudança chegou a ser contestada pelo Procon-RJ, mas foi mantida pela Justiça.

Em Niterói, a prefeitura informou que toda a frota municipal já opera com bilhetagem eletrônica e que mais de 90% dos usuários pagam a passagem por meios digitais. Mesmo assim, o município adota uma postura cautelosa sobre uma possível mudança semelhante.

“Qualquer caminho a ser adotado deverá assegurar a esses usuários alternativas de acesso ao sistema, de modo que ninguém seja excluído do transporte público em razão da forma de pagamento”, informou a administração municipal em nota.

A principal preocupação da prefeitura envolve passageiros de baixa renda e pessoas sem acesso à rede bancária, que ainda dependem do dinheiro em espécie para utilizar o transporte público.

Enquanto o sindicato defende que a mudança pode reduzir riscos e modernizar a operação, o poder público afirma que qualquer decisão precisa garantir que a digitalização não se transforme em barreira para quem mais depende dos ônibus no dia a dia.

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