Fim da jornada 6×1: Presidente da Fiemg alerta para impacto em programas sociais e falta de mão de obra
A recente aprovação da redução da jornada semanal de trabalho, que extingue a escala 6×1, levanta preocupações sobre seus efeitos no mercado e na oferta de serviços. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, aponta a necessidade de uma reformulação nos programas sociais para que os beneficiários não sejam penalizados ao buscar emprego formal.
Segundo Roscoe, as regras atuais de muitos auxílios governamentais desestimulam a entrada no mercado de trabalho, pois a perda imediata dos benefícios pode ser um fator decisivo para muitos trabalhadores. Essa situação, aliada à redução das horas de trabalho, pode agravar um cenário de escassez de mão de obra que já se avizinha.
A proposta da Fiemg é que os programas sociais sejam adaptados para permitir que as pessoas que deles dependem possam trabalhar sem a imediata interrupção do suporte, garantindo assim uma transição mais suave e incentivando a empregabilidade. A declaração foi feita em entrevista ao Metrópoles.
Ajustes necessários nos programas de assistência social
Flávio Roscoe destacou que, sem uma revisão nos programas de assistência, o país pode enfrentar um desabastecimento de produtos e serviços essenciais. Ele explicou que muitos trabalhadores evitam procurar empregos formais para não perderem o acesso aos auxílios, criando um paradoxo onde a intenção de ajudar acaba por afastar pessoas do mercado de trabalho.
Redução da jornada e escassez de profissionais: uma combinação preocupante
A Emenda Constitucional que estabelece a jornada máxima de 40 horas semanais, sem redução salarial e com duas folgas remuneradas, pode intensificar a falta de profissionais. Roscoe prevê que essa combinação resultará em menor oferta de produtos e serviços, pressionando os preços para cima e, consequentemente, diminuindo o poder de compra da população em geral.
Impacto nos serviços e estratégias da Fiemg
O presidente da Fiemg avalia que os serviços serão os primeiros a sentir os efeitos, pois a mão de obra representa uma parcela significativa dos custos e a concorrência externa é menor. Empresas como restaurantes e supermercados, que dependem intensivamente de trabalhadores, podem ter que repassar os custos aos consumidores ou limitar a demanda. Para mitigar esses efeitos, a Fiemg oferecerá orientação às empresas sobre novas escalas e riscos jurídicos na adaptação, além de defender o uso de tecnologia e a automação para reduzir a dependência de mão de obra. A entidade também buscará preservar a jornada 12×36, comum em setores como saúde e indústrias de operação contínua, argumentando que o período de transição para a nova jornada é muito curto e exigirá ajustes legislativos e em acordos coletivos.













