A filiação de Dado Dolabella no MDB foi cancelada após uma série de reações internas dentro da legenda. A decisão foi anunciada por meio de uma nota assinada pelo presidente nacional do partido, Baleia Rossi, e pelo presidente do diretório estadual no Rio de Janeiro, Washington Reis.
No comunicado, os dirigentes informaram que a medida levou em consideração manifestações de integrantes da própria sigla, principalmente mulheres, que se posicionaram contra a entrada do ator no partido. Segundo o documento, as críticas internas tiveram peso na decisão final da direção.
Ainda de acordo com a nota divulgada, o cancelamento foi interpretado pela direção como um posicionamento alinhado com a trajetória da legenda em relação à participação feminina. O texto destaca que o MDB mantém historicamente iniciativas voltadas à presença das mulheres em suas estruturas políticas.
“A medida está alinhada ao histórico do MDB de dar voz às mulheres e de ampliar a participação feminina no partido, o único a prever em estatuto a presença delas em todos os diretórios”, diz um trecho da nota divulgada pela direção partidária.
O comunicado também ressalta dados eleitorais recentes da legenda. Segundo o partido, o MDB foi a sigla que mais elegeu mulheres na última eleição nacional, além de manter desde 1973 uma seção feminina, atualmente integrada à Executiva Nacional.
A polêmica envolvendo a filiação ganhou força dias antes da decisão final. Na última quinta-feira (5), a presidente do MDB Mulher, Kátia Lôbo, publicou uma nota pública demonstrando indignação com a entrada do ator na legenda.
“Recebi com estarrecimento, surpresa e repúdio a notícia da filiação do ator Dado Dolabella – um homem agressor de mulheres, como todo o Brasil o conhece. O momento é extremamente delicado e grave. Depõe contra tudo que milito e militei por tantos anos ao longo da minha vida, sendo uma mulher preta, mãe, avó: a não violência contra a mulher, seja ela qual for”, escreveu.
No posicionamento, a dirigente também chamou atenção para os dados sobre violência contra mulheres no país e destacou o impacto social desse tipo de debate no cenário político atual.
“Em 2025, a Central de Atendimento ‘Ligue 180’ registrou mais de 86 mil denúncias de violência contra mulheres, incluindo violência física, psicológica e sexual. E o que vemos é que poderá ser um número ainda maior, infelizmente, com os demasiados casos de feminicídios e tentativas de feminicídios ao longo desses três meses de 2026”, afirma a nota.
A dirigente também ressaltou que a repercussão do caso ocorre em um período simbólico no calendário social, o mês de março, marcado por debates sobre os direitos das mulheres e combate à violência.
“Em pleno mês de março, conhecido por ser o ‘mês da mulher’, receber esse tipo de notícia é algo que revolta e contraria tudo o que o MDB Mulher quer passar às mulheres. Nenhuma mulher merece ser representada por quem trata a violência como espetáculo”, completa.
O nome de Dado Dolabella já esteve envolvido em investigações relacionadas a episódios de violência doméstica. Um dos casos mais recentes foi denunciado pela ex-namorada, a modelo Marcela Tomaszewski, que chegou a divulgar imagens e mensagens nas redes sociais na época.
A decisão do MDB encerra, ao menos por enquanto, a tentativa de aproximação política do ator com o partido no Rio de Janeiro, após a forte reação de setores internos da própria legenda.
Enquanto isso, o episódio segue repercutindo nas redes sociais e nos bastidores políticos, alimentando discussões sobre os critérios de filiação partidária e o posicionamento público das siglas em temas sensíveis.














