Festa do Aipim em Nova Iguaçu pode ser afetada por obra da Cedae

Festa do Aipim em Nova Iguaçu

A tradicional Festa do Aipim em Nova Iguaçu, recentemente reconhecida como patrimônio histórico, cultural e imaterial do estado, enfrenta incertezas quanto à sua realização em 2025. O evento, que ocorre desde 2003 na região de Tinguá, pode ser inviabilizado por conta de uma obra da Cedae no local onde a festa acontece todos os anos.

A intervenção da companhia, que prevê a instalação de macromedidores na Rua Nossa Senhora da Conceição, preocupa os organizadores, que alegam que o cronograma apertado e a possibilidade de atrasos tornariam impossível a realização da festa no tradicional segundo fim de semana de julho.

Apesar da Cedae garantir que a obra será concluída até 30 de junho, inclusive com a recomposição do pavimento, a Associação de Moradores e Amigos de Tinguá (Amat) afirma que o prazo não é suficiente para garantir a estruturação do evento. Jefferson Lopes, secretário-geral da Amat, destacou que o impacto não seria apenas cultural, mas também econômico, afetando dezenas de famílias da região.

“Além de atentar contra a identidade e os valores que aquela comunidade carrega, a não realização da festa traz um impacto na renda dessas pessoas”, afirmou Jefferson em depoimento ao jornal O Dia.

A Festa do Aipim em Nova Iguaçu é mais do que uma celebração cultural. Ela movimenta a economia local, beneficiando produtores rurais, comerciantes, restaurantes e pousadas em uma época considerada de baixa temporada. Na última edição, 37 famílias participaram diretamente da venda de produtos derivados do aipim, além de outros setores que se beneficiam do aumento no fluxo de visitantes.

Para tentar evitar o cancelamento, moradores de Tinguá chegaram a estacionar carros no local da obra como forma de protesto e de tentativa de adiar o início das intervenções. A Amat busca agora uma mediação com a Prefeitura de Nova Iguaçu para negociar com a Cedae uma nova data para o início das obras, após o término da festa.

Em nota, a prefeitura informou que mantém diálogo aberto com os organizadores, apesar de apontar que representantes da associação faltaram a uma reunião agendada. Mesmo assim, o município reforçou que está disposto a apoiar a realização do evento e discutir alternativas para garantir que a festa aconteça.

O reconhecimento da Festa do Aipim em Nova Iguaçu como patrimônio imaterial foi sancionado pelo governador em exercício, Thiago Pampolha, e prevê, inclusive, a possibilidade de parcerias do poder público com entidades locais para fomentar a continuidade da tradição.

Enquanto isso, a comunidade aguarda uma definição. Caso a obra siga o cronograma sem alterações, a organização acredita que não haverá tempo hábil para montar a estrutura necessária para a festa, o que colocaria em risco uma das mais importantes celebrações culturais da Baixada Fluminense.

A expectativa é que novas reuniões sejam realizadas nos próximos dias para tentar encontrar uma solução que preserve tanto a necessidade da obra quanto a continuidade da Festa do Aipim, símbolo da cultura e da economia de Tinguá.

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