Fernando Torres, nome incontornável das artes cênicas brasileiras, faleceu aos 80 anos, vítima de enfisema pulmonar. A notícia, divulgada em primeira mão pelo blog do colunista Ancelmo Gois, trouxe comoção aos fãs do artista, que esteve internado em diversas ocasiões nos meses anteriores.
A família do ator, que permaneceu ao seu lado durante o período final, informou que o velório ocorreu no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro, seguido pela cremação no cemitério do Caju. O falecimento de Fernando Torres, pai da atriz Fernanda Torres e companheiro de longa data da renomada Fernanda Montenegro, deixou parentes e amigos profundamente abalados.
Pouco antes de seu falecimento, em agosto de 2008, Fernando Torres participou de sua última aparição pública. Ele esteve presente em uma exposição de fotos em sua homenagem, acompanhado por Fernanda Montenegro, Fernanda Torres e Cláudio Torres, seu filho cineasta. O evento aconteceu no restaurante La Fiorentina, no Leme.
Nascido em Guaçuí, Espírito Santo, em 14 de novembro de 1927, Fernando Torres trilhou um caminho de sucesso no teatro, cinema e televisão. Sua carreira teve início como locutor na Rádio MEC, onde conheceu Fernanda Montenegro em 1952, união que resultou em seus filhos e em um programa conjunto, “Falando de cinema”. A notícia de sua morte, conforme divulgado pelo blog do colunista Ancelmo Gois, marca o fim de uma era para as artes no Brasil.
Um Gigante dos Palcos e Telas
A estreia de Fernando Torres nos palcos ocorreu em 1949, na peça “A dama da madrugada”, ao lado de Nathalia Timberg. Ele integrou companhias de destaque como o Teatro Brasileiro de Comédia e o Teatro Maria della Costa. Sua fundação do Teatro dos Sete, ao lado de Fernanda Montenegro, Sérgio Britto e Gianni Ratto, foi um marco, com produções notáveis como “O beijo no asfalto”, de Nelson Rodrigues, que lhe rendeu o prêmio de diretor revelação em 1961.
Após o fim do Teatro dos Sete em 1966, Fernando Torres dirigiu diversos espetáculos de sucesso, como “A mulher de todos nós” e “O inimigo do povo”. Nos anos 70, sua produção de “O interrogatório” lhe rendeu um Prêmio Molière especial em 1972. Um episódio marcante foi a proibição, pela ditadura militar em 1973, da peça “Calabar”, cuja produção já estava pronta.
Trajetória Cinematográfica e Televisiva
No cinema, Fernando Torres participou de filmes importantes ao longo de sua carreira. Nos anos 60 e 70, esteve em “Em busca do tesouro” (1967), “Golias contra o homem das bolinhas” (1969), “A penúltima donzela” (1969) e “Os inconfidentes” (1972). Sua atuação em “O beijo da mulher-aranha” (1984) e em “A ostra e o vento” (1997) são lembradas. Seus últimos trabalhos nas telonas foram em “Ação entre amigos” (1998) e “Redentor” (2004), filme de estreia de seu filho Cláudio Torres.
Na televisão, Fernando Torres deixou sua marca em novelas e minisséries. Sua última aparição na telinha foi na novela “Laços de família” (2000). Outras participações memoráveis incluem “Zazá” (1997), “Amor com amor se paga” (1984) e “Louco amor” (1983). Em 2007, o artista celebrou 80 anos de vida e 60 de carreira com uma exposição comemorativa.














