O influenciador digital Felca quebrou um silêncio de sete meses na internet ao publicar um desabafo na madrugada desta terça-feira. No relato, ele confirmou seu laudo médico de fobia social e explicou a razão do afastamento prolongado.
Depoimento expõe trauma escolar e uso de bebida para disfarçar timidez extrema
Felipe Bressanim Pereira, conhecido nacionalmente como Felca, ficou sem postar em seu canal no YouTube desde que publicou uma grande denúncia sobre adultização precoce de crianças na internet. O trabalho anterior ultrapassou 50 milhões de visualizações e provocou forte comoção pública.
Agora, o criador de conteúdo decidiu abrir detalhes íntimos da própria saúde mental. Ele mostrou o diagnóstico médico logo no início da gravação para alertar sobre a gravidade da fobia social. Segundo o influenciador, a condição vai muito além de uma timidez corriqueira e paralisa a rotina de quem convive com o problema.
O criador de conteúdo afirmou ter sofrido bullying continuado durante oito anos no ambiente escolar. Segundo ele, as ofensas começaram com xingamentos e evoluíram para violência física deliberada. O influenciador destacou que os agressores não costumam sofrer punições, enquanto a vítima carrega sequelas psicológicas por toda a vida.
Para tentar suportar compromissos públicos e conversas do dia a dia, ele admitiu que recorria com frequência ao consumo de bebidas alcoólicas. Felca percebeu que a substância criava apenas uma falsa sensação de segurança temporária. Ao ser convidado para palestras recentes, notou que o pânico continuava completamente ativo e decidiu rever a postura diante das crises.
O que propõe o desafio lançado pelo influenciador?
Para tentar reverter o isolamento imposto pelo transtorno, Felca lançou entre seus seguidores o desafio chamado #simfel. A iniciativa sugere que a pessoa decida dizer mais respostas afirmativas diante de convites de interação, em vez de se trancar em casa.
A proposta se baseia em uma exposição gradual a encontros com outras pessoas durante um período aproximado de noventa dias. A meta declarada é forçar a quebra do hábito de fuga e retomar a presença em espaços coletivos. O influenciador pontuou que o processo envolve desconforto, mas representa uma alternativa prática para reaprender a socializar sem recorrer a fugas prejudiciais.
Como o caso de adultização infantil impactou o sumiço das redes
O afastamento do influenciador ocorreu em março, meses depois do vídeo veiculado originalmente em agosto de 2025. Naquele material, Felca expôs a exploração comercial e a sexualização de menores nas plataformas de vídeo. A repercussão do caso gerou reações severas na esfera jurídica e política do país.
Entre as apurações citadas na época estavam os conteúdos produzidos por Hytalo Santos e o companheiro, Euro. Em fevereiro de 2026, ambos receberam condenações formais da Justiça do Estado da Paraíba por crimes ligados à produção e divulgação de materiais de conotação sexual com adolescentes. As denúncias também aceleraram a aprovação da Lei federal nº 15.211/2025, o chamado ECA Digital, em vigor desde março.
Em razão da denúncia e das ameaças sofridas no período posterior, o influenciador optou por se resguardar fora dos holofotes. O medo gerado pelo episódio ampliou as barreiras para sair de casa, aprofundando o quadro psicológico relatado na nova postagem.
O que fazer se você foi vítima de fobia social ou bullying
Quem enfrenta crises agudas de ansiedade, isolamento forçado ou sofrimento em ambientes públicos não deve recorrer a automedicação nem a substâncias entorpecentes. Especialistas em saúde mental reforçam que o transtorno de ansiedade social exige suporte técnico continuado com psicólogo e médico psiquiatra.
No Sistema Único de Saúde, o atendimento inicial ocorre nas Clínicas da Família e nos postos de saúde de cada bairro. Casos mais complexos recebem encaminhamento para os Centros de Atenção Psicossocial, os Caps. No município do Rio de Janeiro, o cidadão pode consultar a unidade de referência de sua residência ligando gratuitamente para a central telefônica do serviço 1746.
Para situações de desespero iminente ou pensamentos autodestrutivos, o Centro de Valorização da Vida mantém atendimento anônimo e gratuito pelo número de telefone 188. A linha funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, acolhendo quem precisa conversar de forma sigilosa.
Como denunciar abusos virtuais e agressões escolares
Situações que envolvam humilhações graves dentro do colégio, agressão física recorrente ou ameaças digitais devem ser formalizadas perante as autoridades. Casos de bullying que resultem em lesão ou perseguição podem ser registrados presencialmente em qualquer delegacia de Polícia Civil da região onde o fato ocorreu.
No Estado do Rio de Janeiro, o boletim de ocorrência também pode ser realizado pela internet por meio do portal oficial da Delegacia Online da Polícia Civil, dispensando deslocamento inicial. Em episódios com menores de dezoito anos, os responsáveis devem comunicar a direção escolar e, se necessário, acionar o Conselho Tutelar do respectivo bairro.
Informações anônimas sobre ameaças, perseguições ou redes de exploração de crianças na internet podem ser repassadas sem identificação ao serviço do Disque Denúncia pelo telefone (21) 2253-1177, que opera ininterruptamente em todo o estado fluminense.















