Falta de água no Peró gera prejuízos e afasta turistas em Cabo Frio

Hidrometro

A falta de água no Peró tem se arrastado por semanas e causado prejuízos significativos a moradores do bairro, em Cabo Frio. O problema se intensificou após o período do Natal e atinge diversas ruas da região, afetando tanto residências quanto imóveis alugados para turistas.

Na Rua Vitória, o morador Alcides relata que está há cerca de duas semanas sem receber água de forma regular, mesmo contando com sistema de abastecimento instalado. Segundo ele, a situação já resultou na perda de um inquilino de temporada, que decidiu deixar o imóvel antes do previsto devido à escassez. Desde depois do Natal a situação é a mesma, a água simplesmente não chega, afirmou.

De acordo com o morador, o desabastecimento não se limita à sua rua. Vias como a Rua Aurora e outras áreas próximas também estariam completamente sem fornecimento, cenário que se repete em diferentes pontos da cidade e até em municípios vizinhos, ampliando os impactos para a população local.

Com a falta de água, Alcides precisou recorrer à cisterna de 10 mil litros que possui em casa, mas o reservatório já está próximo do fim. A alternativa encontrada foi a contratação de caminhões-pipa, cujos preços dispararam nas últimas semanas. Antes custava em média R$ 300. Agora estão cobrando R$ 750, e tem gente pagando até R$ 900, relatou.

O morador também demonstrou preocupação com a circulação de caminhões que estariam captando água em áreas mais afastadas, levantando suspeitas sobre a origem do abastecimento e defendendo a apuração do caso por órgãos competentes.

Procurada, a concessionária Prolagos informou que o sistema de abastecimento opera em fase de normalização, favorecido pela maior estabilidade da rede elétrica. Segundo a empresa, desde o dia 29 de dezembro foram registradas 37 oscilações de energia que impactaram de forma pulverizada a distribuição de água em cidades da região.

Ainda de acordo com a concessionária, as variações frequentes de energia dificultam o acionamento automático dos geradores e a retomada das bombas responsáveis pela pressurização da rede, podendo inclusive causar rompimentos de adutoras. No dia 30 de dezembro, a quebra de duas tubulações de grande porte afetou o fornecimento em municípios da Região dos Lagos.

A Prolagos destacou também que o consumo elevado provocado pelas altas temperaturas e pelo aumento da população neste período reduz a pressão do sistema, atingindo principalmente áreas mais altas, como o Peró. Durante o processo de normalização, a empresa orienta os moradores a manterem o registro do hidrômetro aberto ao longo do dia, especialmente à noite, quando o consumo é menor.

Por fim, a concessionária informou que equipes seguem atuando 24 horas por dia para atendimento à população e que o abastecimento por caminhão-pipa foi reforçado como medida emergencial. Segundo a empresa, a água entregue nessa modalidade não é comercializada, sendo a cobrança feita pelo volume fornecido, da mesma forma que ocorre com o consumo registrado no hidrômetro.

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