As falhas no hospital de Miguel Pereira voltaram ao centro das discussões sobre a saúde pública após uma fiscalização realizada no Hospital Municipal Luiz Gonzaga identificar uma série de problemas estruturais e administrativos. A vistoria foi conduzida pelo deputado estadual Yuri Moura e teve como base denúncias de moradores sobre dificuldades no atendimento.
Durante a inspeção, a equipe constatou a ausência de responsáveis pela administração da unidade. Não havia direção ou coordenação médica presente no momento da visita, e documentos essenciais, como a escala de profissionais, não foram apresentados, o que dificultou a verificação da presença de médicos e a organização dos atendimentos.
Entre os principais problemas apontados está a inexistência de uma escala médica acessível, considerada fundamental para garantir transparência e controle das atividades hospitalares. Segundo o parlamentar, a ausência desse tipo de registro compromete diretamente a qualidade do serviço prestado à população.
“A escala médica é um mistério e a gestão é inexistente. O que encontramos aqui é extremamente grave e confirma tudo aquilo que já vinha sendo denunciado pela população há meses”, afirmou Yuri Moura.
A equipe de fiscalização também não conseguiu acesso a informações básicas, como a lista de medicamentos disponíveis na farmácia da unidade. A falta desses dados foi interpretada como um indicativo de desorganização administrativa e de dificuldades no monitoramento dos serviços de saúde.
O processo de vistoria ainda enfrentou entraves operacionais. De acordo com o deputado, houve demora para que um responsável se apresentasse, além de tentativas de impedir o acesso às dependências do hospital. A Polícia Militar foi acionada, mas, segundo o parlamentar, respeitou o direito legal de fiscalização.
“Tentaram impedir a minha fiscalização. Eu tive que adentrar o hospital para aparecer algum responsável. Chamaram a Polícia, que foi muito coerente e respeitou o meu mandato. A fiscalização é um direito da população”, declarou.
As irregularidades identificadas não são recentes. Em outubro de 2025, o mandato do deputado já havia encaminhado ofícios à Secretaria Municipal de Saúde e à Prefeitura de Miguel Pereira solicitando esclarecimentos sobre problemas semelhantes, sem que houvesse resposta formal até o momento.
Diante das constatações, um relatório técnico está em fase final de elaboração e será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, além dos Conselhos Regionais de Medicina e Enfermagem e outros órgãos de controle. A expectativa é que os documentos subsidiem a apuração das responsabilidades e a adoção de medidas corretivas.
“O povo de Miguel Pereira não merece passar pelo que está passando. Vamos até as últimas instâncias de poder, para que haja responsabilização e, principalmente, solução imediata para esse quadro de abandono”, concluiu o parlamentar.
A Prefeitura de Miguel Pereira foi acionada para comentar as irregularidades apontadas e, até a última atualização, aguardava-se um posicionamento oficial. A matéria será atualizada assim que novas informações forem divulgadas.














