Fábrica clandestina de armas em Nova Iguaçu leva à prisão de ex-cabo do Exército

Carlos Henrique Martins Cotrin, ex-cabo do exército, preso na operação

Uma fábrica clandestina de armas em Nova Iguaçu levou à prisão do ex-cabo do Exército Carlos Henrique Martins Cotrin durante uma operação da Polícia Civil realizada nesta quarta-feira. O suspeito, que já serviu em missão no Haiti, é apontado como proprietário de um dos pontos de produção investigados pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme).

De acordo com o delegado Luiz Otávio Franco, responsável pela ação, a empresa mantida por Cotrin fabricava fuzis artesanalmente e os vendia pela internet por valores entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. A operação também resultou na descoberta de outra fábrica e na prisão de mais cinco suspeitos. Entre o material apreendido estavam um lança-rojão, um fuzil, pistolas e diversas munições.

“É uma operação que investiga comércio e fábrica ilegal de arma. Tivemos farta quantidade de arma apreendida, pistolas, fuzis, um lança-rojão. Na primeira fase foi preso um indivíduo em Nova Iguaçu em uma fábrica de armas, hoje estouramos outras duas fábricas. Nós tivemos também um apoio da Polícia Civil do Paraná, e lá tivemos um preso por vender armas na internet”, afirmou o delegado.

As investigações apontam que parte das armas produzidas ou compradas irregularmente era repassada a terceiros sem qualquer registro ou controle legal. Segundo Franco, uma das pessoas envolvidas no Paraná fornecia peças e insumos de munição para o grupo no Rio. A polícia destaca que não se tratava de uma produção em larga escala, mas de armas fantasmas — sem numeração — que dificultam o rastreio e eram vendidas a traficantes e milicianos.

O inquérito avançou a partir da análise técnica de celulares e computadores apreendidos em fases anteriores da operação. Mensagens interceptadas e registros financeiros revelaram relações estáveis entre fabricantes, intermediários e compradores, além de lucros que variavam entre 100% e 150%. O grupo também utilizava transportadoras privadas para enviar armamentos, com instruções específicas para disfarçar o conteúdo e ocultar a identidade do remetente.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa de Carlos Henrique Martins Cotrin. O espaço permanece aberto para manifestações.

Limpatech