Exposição “Clóvis: o rosto por trás da máscara” celebra a rica cultura do bate-bola no Rio de Janeiro
A partir de 21 de julho, a Biblioteca Parque Estadual, no Centro do Rio, se tornará palco para uma imersão profunda na vibrante cultura dos bate-bolas, também conhecidos como Clóvis. A exposição gratuita, intitulada “Clóvis: o rosto por trás da máscara”, promete desvendar as histórias, os processos criativos e as pessoas que dão vida a essa manifestação cultural tão emblemática do carnaval carioca.
A mostra reunirá um acervo impressionante de fantasias completas e originais, usadas por diversas turmas no carnaval de 2026, além de fotografias, vídeos e adereços que capturam a essência dessa tradição. O público terá a oportunidade de conhecer o trabalho minucioso desenvolvido em quintais, varandas e galpões da Zona Norte, Zona Oeste e Baixada Fluminense, regiões onde os bate-bolas florescem.
Reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro desde 2012, os bate-bolas são figuras icônicas dos subúrbios cariocas. Conforme informação divulgada pela organização do evento, a exposição busca, por meio de suas peças e registros, aproximar o público das complexas relações e dos processos de criação que envolvem essa manifestação artística, muitas vezes vista apenas como um espetáculo.
Desvendando a Identidade e a Arte por Trás das Máscaras
A exposição “Clóvis: o rosto por trás da máscara” se propõe a ir além da fantasia, focando nas pessoas e nas narrativas que a constroem. O curador Rennan Carmo destaca que a intenção é debater como os bate-bolas são amplamente reconhecidos como imagem do carnaval carioca, mas pouco compreendidos a partir dos indivíduos que os criam e os protagonizam. A ideia é mudar o foco da fantasia vista apenas como espetáculo para a fantasia como processo e linguagem.
Felipe Soares, idealizador da mostra, ressalta a importância das roupas como portadoras de informações sobre os integrantes das turmas e os territórios onde são produzidas. “Falar por meio das roupas é fundamental porque elas concentram camadas: técnica, identidade, estética e pertencimento”, afirma. A fantasia, segundo ele, não é apenas um figurino, mas um dispositivo que transforma o corpo, organiza relações dentro da turma e comunica valores e narrativas locais.
Do Cotidiano das Turmas à Celebração nas Ruas
O percurso da exposição é dividido em duas partes distintas. A primeira parte transporta o visitante para a rua, palco das saídas coletivas das turmas, com sua explosão de cores, música, fogos e, claro, as imponentes fantasias. Estas peças são o resultado de meses de dedicação, desde a concepção do tema até a confecção minuciosa das roupas e adereços.
A segunda parte da mostra mergulha nos bastidores, revelando o universo de pintores, costureiras, aderecistas e produtores que trabalham em espaços muitas vezes improvisados. É nesses ambientes que se constroem relações que transcendem o período do carnaval, com muitos integrantes reunindo recursos ao longo do ano para viabilizar a produção das fantasias e a organização das apresentações.
Um Olhar Crítico e Inclusivo sobre a Manifestação
A exposição também aborda o preconceito frequentemente associado aos bate-bolas, que por vezes são marginalizados ou associados à desordem. O projeto se esforça para apresentar a manifestação como uma forma legítima de arte popular e de ocupação dos espaços públicos. “A exposição contribui para ampliar a compreensão do carnaval para além dos circuitos mais visíveis, jogando luz em manifestações que fazem parte do cotidiano de muitos territórios do Rio”, explica a organização.
O público pode esperar uma aproximação mais direta com os processos de criação, as histórias das turmas e a complexidade dessa prática cultural. A mostra conta com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, por meio do Edital Folia RJ 2026. Recursos de acessibilidade, como audiodescrição, obra tátil e intérprete de Libras, estarão disponíveis nos eventos de abertura e encerramento.
Programação de Abertura e Informações
A inauguração da exposição “Clóvis: o rosto por trás da máscara” acontecerá no dia 21 de julho, a partir das 15h, com uma fala inaugural e uma visita mediada. Às 16h, será realizado um seminário gratuito com a participação de Fabiano Lima, da Turma Bem Feitos, e Emilly “Milly” Santos, da Turma Empoderadas, que discutirão a produção das fantasias, a formação das turmas e a presença dos bate-bolas no carnaval do Rio.
A exposição poderá ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, na Biblioteca Parque Estadual, localizada na Avenida Presidente Vargas, 1.261, Centro. A entrada é gratuita e a classificação é livre. Entre os grupos participantes, destacam-se Turma Bem Feitos, Turma Bem Feitas, Mercenários de Realengo, Turma Animação da Ilha do Governador, Complexo da Leocádia, Velha Guarda de Paciência, Tropa do Senegal, Turma Empoderadas, Turma do Funil, Turma Playboyzada e Que Turma É Essa, entre outros.














