EXCLUSIVO: Fronteira aberta para propina no Porto do Rio

Porto do Rio

Uma articulação silenciosa, mas poderosa, está em curso dentro da Autoridade Portuária do Rio de Janeiro. Documentos oficiais revelam mudanças estratégicas na Superintendência da Guarda Portuária, núcleo responsável por controlar acessos, fiscalizar cargas e zelar pela integridade da zona primária do Porto.

O ato administrativo, datado de 11 de agosto de 2025, designou para Superintendente da Guarda Portuária Jorge da Silva Dantas, que possui vídeos recebendo propina quando era vereador em Japeri, veiculados em programas como Fantástico, da TV Globo. Com o fato exposto em rede nacional, sua candidatura à reeleição como vereador daquele município não obteve êxito.

A troca, aparentemente burocrática, ocorreu em meio a denúncias de facilitação de propinas e esquemas de acesso irregular de caminhões e cargas. O risco é institucional: o Porto, uma das principais fronteiras econômicas do país, se vê fragilizado por ingerências políticas e práticas que abrem espaço para a corrupção. A transição na Guarda Portuária não se limita a nomes — sinaliza rearranjos internos que podem impactar diretamente a segurança logística, a arrecadação tributária e o controle alfandegário.

A portaria, assinada pelo diretor-presidente Flavio Vieira da Silva, é a peça que confirma oficialmente a mudança. A proximidade temporal entre a reunião da Diretoria Executiva (08/08/2025) e a nomeação (11/08/2025) reforça a percepção de alinhamento político acelerado.

Um dossiê, documento ao qual o jornal POVO NA RUA teve acesso, reúne informações e evidências que apontam para a abertura de fronteiras para práticas de propina no Porto do Rio de Janeiro. A movimentação recente de cargos estratégicos na Guarda Portuária demonstra articulações internas e indícios de favorecimentos em contratos e operações que afetam diretamente a segurança e o controle da atividade portuária.

Neste cenário, cresce a percepção de que a “fronteira aberta” do Porto do Rio tornou-se espaço fértil para negociações obscuras, colocando em risco a credibilidade institucional da PortosRio e a própria imagem do Estado do Rio de Janeiro.

O caso exige apuração rigorosa dos órgãos de controle, sob pena de consolidar-se a figura de um verdadeiro “Gabinete da Propina” instalado no coração do Porto.

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