Ex-porta-voz da PM, Ivan Blaz, responde por abuso e invasão no Rio

PM Ivan Blaz

O ex-porta-voz da Polícia Militar, Ivan Blaz, foi denunciado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) pelos crimes de invasão de domicílio e constrangimento ilegal. O caso ocorreu em janeiro deste ano, quando o oficial, à época comandante do 2º BPM (Botafogo), liderou uma ação em um prédio residencial no bairro do Flamengo, Zona Sul do Rio, sem mandado judicial.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial em Segurança Pública (GAESP) e pela 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria de Justiça Militar. Os promotores também pediram a suspensão das funções públicas do tenente-coronel, destacando que a operação foi realizada de forma arbitrária e com intimidação a moradores e funcionários do edifício.

De acordo com o MPRJ, Blaz teria recebido uma denúncia anônima sobre a presença do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o “Peixão”, no prédio. Sem flagrante ou autorização judicial, ele compareceu pessoalmente ao local com uma sargento, disfarçando-se como casal para entrar no condomínio. Imagens de câmeras de segurança mostram Blaz de bermuda, chinelo e com uma camiseta amarela amarrada na cabeça, enquanto portava uma lata de cerveja e uma sacola.

Após tentativas frustradas de acesso, o grupo aproveitou a movimentação na garagem para invadir o prédio. Lá dentro, o tenente-coronel sacou a arma e obrigou o porteiro a deitar no chão, além de constranger moradores e revistar dependências do edifício. Dois celulares foram apreendidos e a equipe policial chegou a entrar no apartamento da síndica, segundo relatos de testemunhas.

O caso gerou forte repercussão na corporação. Blaz foi exonerado do comando do 2º BPM em 18 de janeiro e transferido para a Diretoria Geral de Pessoal. A Corregedoria da PM também abriu investigação para apurar o comportamento do oficial e de sua equipe.

Em nota, o MPRJ classificou a operação como um “grave desvio de função e abuso de poder”. Já a defesa de Ivan Blaz ainda não se manifestou sobre as acusações. O processo tramita atualmente na Auditoria de Justiça Militar.

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