Ex-policial preso nos EUA já atuou na Alerj e tinha histórico com o tráfico

Luciano de Lima Fagundes Pinheiro

O caso do ex-policial preso nos EUA já atuou na Alerj e tinha histórico com o tráfico ganhou repercussão após a confirmação da prisão de Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como Bonitão, em Orlando, nos Estados Unidos, na manhã desta sexta-feira (24). A detenção foi realizada pela agência norte-americana DEA (Drug Enforcement Administration), com base em informações repassadas pela Polícia Federal brasileira.

Segundo as investigações, ele é suspeito de participar de negociações envolvendo vantagens indevidas e de atuar em benefício de um traficante internacional de drogas. A operação faz parte de um desdobramento de ações coordenadas entre autoridades brasileiras e norte-americanas no combate ao crime organizado.

Luciano já era conhecido das autoridades desde 2014, quando foi preso sob acusação de atuar como informante do traficante Menor P, ligado ao Complexo da Maré. Na época, também foi apontado como responsável por intermediar informações entre o criminoso e Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, uma das lideranças do tráfico no Rio de Janeiro.

Mesmo após esse episódio, o ex-agente voltou a ocupar espaço na esfera pública. Em 2018, ele assumiu um cargo de confiança na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), permanecendo na função até 2019. A exoneração ocorreu após a divulgação de seu histórico, que já incluía condenação por colaboração com o tráfico e posse ilegal de arma.

A Polícia Federal informou que a prisão recente integra a Operação Anomalia, desenvolvida em conjunto com a Força-Tarefa Missão Redentor II. O objetivo é cumprir determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra um grupo suspeito de coordenar atividades ilícitas em diferentes níveis.

Após a prisão, o ex-policial deverá passar por audiência de custódia nos Estados Unidos, onde será avaliada a possibilidade de deportação para o Brasil. As autoridades acompanham o caso e não descartam novos desdobramentos à medida que as investigações avancem.

Antes de sua primeira prisão, Luciano também circulava nos bastidores do futebol carioca, atuando como assessor de jogadores, incluindo o atacante Vágner Love, o que ampliou sua visibilidade fora do meio policial.

O histórico do ex-agente inclui ainda a apreensão de uma arma com registro vencido e um carregador de uso restrito, encontrados em sua residência durante uma operação da Polícia Federal realizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio.

Com a nova prisão em território internacional, o caso volta ao centro das atenções e reforça o monitoramento de autoridades sobre possíveis conexões entre agentes públicos e o crime organizado.

E o que ainda pode vir à tona nesse caso pode surpreender ainda mais nos próximos dias.

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