Ex-comandante da FAB presta depoimento sobre trama golpista

Carlos de Almeida Baptista Júnior

Ex-comandante da FAB presta depoimento sobre trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (21). O tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior, que chefiou a Aeronáutica durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), será ouvido como testemunha nas investigações que apuram a tentativa de golpe para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo aAgência Brasil, a audiência está marcada para as 11h30 e será presidida pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos envolvendo Bolsonaro e outros sete acusados pelo Ministério Público Federal.

O depoimento do ex-comandante é considerado crucial, já que ele participou de uma reunião com o então presidente Bolsonaro e os comandantes das Forças Armadas, onde foi apresentado um estudo com teses jurídicas que buscavam justificar medidas como estado de sítio e atos que configurariam golpe de Estado.

Durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal, Baptista Júnior relatou que deixou claro a Bolsonaro que a Força Aérea Brasileira (FAB) não apoiaria qualquer iniciativa golpista. Ele ainda revelou que o comandante do Exército na época, Freire Gomes, teria dito na mesma reunião que, caso Bolsonaro tentasse qualquer ação fora da Constituição, ele poderia ser preso.

Entretanto, em depoimento recente ao STF, o próprio Freire Gomes negou que tenha ameaçado prender o ex-presidente. “Não aconteceu isso, de forma alguma. Eu alertei ao presidente que se ele saísse dos aspectos jurídicos, além de não concordarmos com isso, ele seria implicado juridicamente”, declarou.

O depoimento de Baptista Júnior faz parte de uma série de oitivas que estão acontecendo entre os dias 19 de maio e 2 de junho. As audiências ocorrem por videoconferência, de forma simultânea, para evitar que as testemunhas combinem versões.

Outros nomes de peso também estão na lista para prestar depoimento, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, além de deputados e senadores aliados de Bolsonaro na época.

Encerrada essa fase de testemunhas, o STF deve marcar as datas dos interrogatórios dos réus, incluindo o próprio ex-presidente. O julgamento, que decidirá pela condenação ou absolvição dos acusados, está previsto para ocorrer ainda este ano.

Os réus respondem pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio público tombado. As penas podem ultrapassar 30 anos de prisão em caso de condenação.

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