Ex-Botafogo processa clube em R$ 9,9 milhões por lesões no joelho

O ex-meia Cidinho, revelado pelo Botafogo, entrou na Justiça contra o clube cobrando quase R$ 10 milhões. Ele alega que o Alvinegro tem relação direta com lesões no joelho que provocaram sua aposentadoria aos 29 anos.

O atleta pede indenização por danos morais e materiais, além de uma pensão vitalícia. O argumento central é que o problema físico crônico impediu o prosseguimento de sua trajetória profissional nos gramados.

Entenda a cobrança milionária do ex-meia contra o clube

Natural de Mesquita, na Baixada Fluminense, Cidinho começou no futsal alvinegro e chegou a defender seleções brasileiras de base. Sua carreira começou a mudar em 2013, durante um jogo do Campeonato Carioca contra o Madureira. Naquela partida, ele rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo.

Após passar por cirurgia e enfrentar complicações médicas, o jogador ficou 13 meses afastado. Logo após voltar aos campos, sentiu novamente a região e precisou retornar ao departamento médico. No fim de 2015, com o contrato perto de terminar, a diretoria do clube optou por não renovar o vínculo de trabalho.

O jogador afirma que um laudo médico recente constatou sequela permanente em seu joelho decorrente do tratamento recebido à época. Na ação judicial, os pedidos iniciais giram em torno de R$ 8,8 milhões, mas o valor total acumulado das custas e pedidos pode alcançar aproximadamente R$ 9,9 milhões.

Como foi a trajetória do atleta da Baixada até a aposentadoria

Cidinho despontou como uma das maiores promessas de General Severiano no início da última década. Convocado para a Seleção Brasileira Sub-20 aos 17 anos em 2010, ele disputou os Jogos Pan-Americanos de 2011 e chegou aos profissionais com grande expectativa da torcida alvinegra.

Depois da saída do clube carioca em 2015, o meia tentou reconstruir o caminho profissional no exterior. Passou por ligas do continente asiático e divisões secundárias da Europa, porém as limitações físicas do joelho impediram uma sequência regular de jogos. Em 2023, após anos de tratamento contínuo contra as dores, decidiu pendurar as chuteiras em definitivo.

O que diz a legislação trabalhista sobre lesão de atleta profissional

No futebol brasileiro, a relação entre clube e atleta é regulada pela Lei Geral do Esporte e por regras trabalhistas tradicionais. As agremiações têm o dever legal de manter seguro de vida e de acidentes pessoais para cobrir despesas médicas e incapacidades ocorridas durante a vigência do contrato.

Quando um atleta sofre contusão a serviço do empregador, o clube é obrigado a garantir todo o tratamento adequado até a total recuperação. Se a perícia judicial comprovar negligência médica ou se for demonstrado que a lesão causou invalidez para a profissão sem o devido amparo, a Justiça do Trabalho pode determinar pensão mensal e reparação financeira proporcional ao tempo que o atleta deixou de atuar.

O que falta definir na ação judicial

O processo corre na Justiça do Rio de Janeiro e ainda se encontra nas etapas iniciais. O Botafogo precisará apresentar sua defesa técnica e demonstrar os prontuários dos atendimentos prestados pelo departamento médico entre 2013 e 2015.

Para que haja uma decisão, a Justiça costuma determinar uma perícia médica neutra, conduzida por um perito judicial oficial. Esse especialista analisará os exames históricos e avaliará o grau atual da limitação funcional do joelho do ex-jogador. Até o momento, o clube da Estrela Solitária não emitiu pronunciamento oficial sobre a cobrança.

Como recorrer aos órgãos de defesa trabalhista no Rio

Trabalhadores comuns ou atletas profissionais que sofrem acidentes de trabalho e enfrentam recusa da empresa no custeio médico podem buscar a Justiça do Trabalho para garantir seus direitos. Casos com lesão permanente exigem a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) pelo empregador ou pelo sindicato da categoria.

Quem não tem recursos para contratar advogado pode procurar o atendimento da Defensoria Pública da União (DPU) ou o núcleo de primeiro atendimento do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), localizado na Rua do Lavradio, 132, no Centro do Rio de Janeiro. O atendimento ocorre em dias úteis, das 9h às 15h, mediante apresentação de documento oficial de identidade, carteira de trabalho e todos os laudos médicos que comprovem a lesão.

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