A megaoperação policial realizada nesta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, provocou o cancelamento de diversos eventos culturais em diferentes pontos da cidade. Com 64 mortos e 81 presos, segundo informações oficiais, a ação contra o Comando Vermelho gerou um clima de apreensão que levou escolas de samba, teatros e centros culturais a suspenderem suas atividades.
A Prefeitura do Rio recomendou que os moradores evitassem deslocamentos desnecessários durante o dia, o que levou à paralisação de programações em locais de grande público. Entre as escolas de samba, Grande Rio, Viradouro, Imperatriz Leopoldinense, Império Serrano e União da Ilha anunciaram o cancelamento de ensaios comunitários e atividades previstas.
A Grande Rio informou em nota que a decisão “visa garantir a segurança e o bem-estar de todos os integrantes, componentes e do público”. Já a Imperatriz Leopoldinense afirmou: “Por conta do ocorrido no CPX e na região da Zona da Leopoldina, nossas atividades estão suspensas no dia de hoje. Que o amanhã seja melhor e mais digno”.
Outras escolas também seguiram o mesmo caminho. O Império Serrano justificou a suspensão do ensaio devido à onda de violência na Zona Norte, enquanto a Viradouro comunicou que retomará suas atividades apenas na próxima terça-feira (4). “Desejamos que os próximos dias sejam de paz e que possamos voltar a nos encontrar em segurança”, informou a agremiação.
O impacto da operação se estendeu também a espaços culturais da cidade. A Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, adiou o espetáculo “Palavras de Mulher”, transferindo os ingressos para o dia seguinte. A Academia Brasileira de Letras cancelou todos os eventos agendados para esta terça-feira, e o Flu Music, na Barra da Tijuca, anunciou o adiamento do show da cantora Paula Toller, prometendo divulgar nova data em breve.
O Beco do Rato, tradicional reduto de samba no Centro do Rio, também suspendeu suas apresentações. “Esperamos retomar a programação amanhã, se seguro for, com a alegria e o samba de sempre”, informou o espaço.
Os cancelamentos refletem o clima de insegurança que tomou conta do Rio de Janeiro após a operação, considerada uma das mais letais da história recente do estado. Segundo as instituições, a retomada das atividades dependerá da estabilização da situação e da garantia de segurança para artistas, trabalhadores e público.














