Um homem foi preso acusado de estupro virtual após ameaçar uma jovem durante quase nove anos pela internet. A prisão aconteceu em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, após investigação da Polícia Civil iniciada a partir de uma denúncia registrada há cerca de dois meses.
De acordo com as autoridades, o suspeito foi identificado como Ademir da Costa Verrheryen. Ele é investigado por estupro virtual, extorsão, violência psicológica e perseguição. Segundo a polícia, uma das vítimas tinha apenas 11 anos quando passou a ser alvo das ameaças e chantagens.
As investigações apontam que o homem utilizava perfis falsos em jogos virtuais e redes sociais para se aproximar de adolescentes. Em um dos casos apurados, ele se apresentava como uma garota da mesma idade da vítima, usando o nome “Rayane”, estratégia que facilitava a aproximação e a criação de confiança.
Na época, ele se chamava Rayane e tinha a mesma idade que eu. É muito difícil trazer isso à tona depois de tantos anos, relatou a jovem, que hoje tem 18 anos.
Segundo os investigadores, após conquistar a confiança das vítimas e obter informações pessoais, o suspeito passava a fazer ameaças constantes e chantagens, incluindo ameaças contra familiares.
Um dos meios que, infelizmente, ele conseguiu me prender a ele por tanto tempo, foi a razão das ameaças constantes à minha vida e à vida da minha família. Isso é uma manipulação emocional, uma manipulação psicológica, mental. Eu não via saída, disse a jovem.
A denúncia foi registrada na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Nova Iguaçu, que conduziu as investigações durante dois meses. Durante esse período, os agentes solicitaram à Justiça a quebra de sigilo de dados e telefônico do investigado.
De acordo com a Polícia Civil, o material analisado confirmou os indícios do crime e permitiu a identificação do suspeito. Com base nas provas reunidas, a Justiça autorizou a prisão preventiva do investigado.
O mandado foi cumprido na terça-feira (10), em São Gonçalo. A prisão é por tempo indeterminado enquanto o caso segue em investigação.
A delegada Mônica Areal afirmou que o comportamento do suspeito se tornava ainda mais agressivo quando a vítima tentava romper o contato.
Ameaçava ela constantemente. Quando ela tentava bloquear, já mais velha, ele mandava vários pix fazendo ameaças. Ameaçava a família dela. Até que ela conseguiu ter um relacionamento e, a partir desse momento, ela começa a se rebelar. E quando ela começa a enfrentar esse homem, ele começa a aumentar as chantagens, afirmou a delegada.
Segundo a delegada, crimes desse tipo se sustentam principalmente por meio da violência psicológica exercida sobre as vítimas.
É isso que esses criminosos fazem, eles falam que vão contar pra mãe, pra família. A partir do momento que ele entrou na mente é a violência psicológica, como se fosse uma teia de aranha, não sai mais. Fica envolvida numa teia macabra, disse Areal.
Durante as investigações, os policiais identificaram ao menos mais uma possível vítima do suspeito. A jovem relatou que também sofreu ameaças e perseguição virtual durante anos.
Ele, simplesmente, começou através do telefone, me hackeando, me ameaçando, me mandando mensagem. Só que eu sempre o evitava. Ele criou várias linhas telefônicas com o meu CPF, várias dívidas nas linhas telefônicas, me prejudicando. Eu nunca vi ele na minha frente. Acredito eu que ele nunca me viu. Foi esses dois anos e meio vivendo isso. Então, quando eu soube que ele foi preso, me deu um alívio tão grande, tão grande, relatou.
A Polícia Civil informou que continua investigando o caso para identificar outras possíveis vítimas e reforçou que pessoas que tenham passado por situações semelhantes devem procurar uma delegacia para registrar ocorrência.
O caso segue em apuração e novas vítimas podem surgir à medida que as investigações avançam.














