A investigação sobre o estupro coletivo em Copacabana ganhou novos desdobramentos após o relato da vítima à Polícia Civil. Segundo o inquérito conduzido pela 12ª DP (Copacabana), quatro jovens entre 18 e 19 anos foram indiciados por estupro com concurso de pessoas, enquanto um adolescente também é investigado e teve o caso encaminhado à Vara da Infância e Juventude.
O crime teria ocorrido na noite de 31 de janeiro, em um imóvel localizado na Rua Ministro Viveiros de Castro, na Zona Sul do Rio. De acordo com as apurações, a adolescente de 17 anos foi convidada por um colega de escola para ir ao apartamento de um amigo dele. Ela relatou que o rapaz pediu que levasse outra pessoa, mas, como não conseguiu, decidiu ir sozinha.
Em depoimento prestado na delegacia, na presença da avó, a jovem afirmou que, ao chegar ao prédio, encontrou o adolescente na portaria e subiu com ele até o apartamento. No elevador, segundo o relato, ele teria informado que dois amigos estariam no local e sugerido que fariam “algo diferente”, o que ela disse ter recusado.
A vítima contou que, já no imóvel, foi levada para um quarto. Enquanto mantinha relação com o jovem, outros três rapazes teriam entrado no cômodo. Segundo o depoimento, eles passaram a fazer comentários e, em seguida, a tocá-la sem consentimento. A adolescente afirmou que tentou impor limites, permitindo apenas a permanência deles no quarto, desde que não a tocassem, condição que, segundo ela, não foi respeitada.
Ainda de acordo com o relato, ela teria sido forçada a praticar atos sexuais e sofreu agressões físicas durante o episódio. A jovem afirmou que tentou sair do quarto em determinado momento, mas teria sido impedida. Após deixar o apartamento, enviou um áudio ao irmão relatando que acreditava ter sido vítima de estupro e, posteriormente, procurou a delegacia para registrar o caso.
O delegado Ângelo Lajes, responsável pela investigação, declarou que a hipótese trabalhada pela polícia é de uma “emboscada planejada”. Segundo ele, os envolvidos podem enfrentar penas que, somadas, chegam a quase 20 anos de prisão.
As investigações também tiveram acesso às imagens das câmeras de segurança do prédio. Os registros mostram a chegada dos jovens ao apartamento e, depois, a entrada da adolescente acompanhada do menor investigado. As imagens também captam o momento em que a vítima deixa o imóvel e segue em direção ao elevador. Conforme o relatório policial, após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos descritos pelos investigadores como de “comemoração”.
Prints de conversas por aplicativo de mensagens entre a jovem e o menor também integram o inquérito. Nas trocas, ele a convida para ir ao endereço e questiona se poderia chamar uma amiga. Ela responde que não teria quem convidar, e ele afirma que não haveria problema em ir sozinha. As mensagens mostram ainda a combinação do encontro e os horários de chegada.
O que dizem os citados
A defesa de João Gabriel se pronunciou com a seguinte nota:
“A defesa de João Gabriel Bertho nega com veemência a ocorrência de estupro. Duas decisões judiciais já haviam negado o pedido de prisão preventiva feitos anteriormente. Há nos autos do processo, mensagens de texto, trocadas entre a jovem e seu amigo, ambos com 17 anos, sobre a presença prévia de outros rapazes na casa em que eles se encontrariam, como de fato ocorreu. A jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo. No mesmo depoimento, ela relata ter tido outros pedidos atendidos. A defesa contesta o fato de João Gabriel, estudante e atleta profissional, sem nenhum histórico de violência, não ter tido oportunidade sequer de ser ouvido pela polícia para se defender. Contesta ainda que a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação”.













