O estádio do Flamengo, projeto mais ambicioso da atual gestão rubro-negra, começa a ganhar forma concreta a partir da próxima segunda-feira (21). Nesta data será iniciado o ciclo de estudos técnicos no terreno do Gasômetro, adquirido pelo clube no ano passado por R$ 146 milhões, para sediar a futura arena esportiva do time carioca.
Três empresas especializadas foram contratadas para conduzir os trabalhos, cujo objetivo é avaliar detalhadamente as condições do local para receber a construção do estádio. As análises servirão como base para a elaboração do projeto executivo e a definição de prazos, custos e intervenções ambientais necessárias.
Análise ambiental: o principal desafio
A etapa mais complexa dos estudos será a análise da contaminação do solo, que será feita pela empresa Aecom, referência no setor de engenharia ambiental. O terreno do Gasômetro está situado em uma antiga área industrial, o que exige cuidados rigorosos com o solo e possíveis resíduos químicos.
Essa análise envolverá a investigação ambiental detalhada, a atualização de avaliação de riscos à saúde e a definição da estratégia de descontaminação. A previsão é que essa fase dure seis meses. Após esse período, será possível levantar os custos e prazos estimados para a descontaminação e realizar o planejamento de obras com mais segurança.
Segundo o clube, essa etapa é fundamental para garantir que o projeto respeite as normas ambientais e seja viável a longo prazo.
Geotecnia e fundações do estádio
Outro ponto essencial para a construção do estádio do Flamengo é o estudo geotécnico, que ficará sob responsabilidade da empresa Soloteste. A função desse estudo é coletar dados sobre o subsolo, como resistência e profundidade, o que influencia diretamente na escolha do tipo de fundação da estrutura.
Essas informações permitirão que os engenheiros calculem com precisão os esforços e as cargas do projeto arquitetônico, além de definirem a tipologia estrutural mais adequada e estimarem os custos envolvidos na fundação do estádio.
Esse tipo de estudo é particularmente importante em grandes obras urbanas, como arenas e complexos multiuso, pois evita surpresas durante a fase de escavação e construção, além de reduzir os riscos técnicos.
Estudo topográfico e impacto ambiental
A terceira frente de trabalho será conduzida pela empresa JDS, responsável pelas análises topográficas do terreno. Esses estudos refinarão o mapeamento planialtimétrico da área — ou seja, a análise precisa da altura, inclinação e relevo — além de identificar interferências físicas já existentes no local.
A JDS também terá a função de avaliar o impacto ambiental sobre a vegetação da região e levantar possíveis exigências de compensação ambiental por parte dos órgãos de licenciamento. Esse processo visa garantir que o projeto esteja em conformidade com as regras ambientais do município e do estado.
Dependendo dos resultados, o clube poderá ser orientado a adotar medidas como o plantio de árvores em outras áreas, realocação de vegetação ou intervenções de preservação.
Coordenação dos estudos e próximos passos
A empresa Arena Events + Venues será a responsável por coordenar todos os estudos. Ela também é encarregada de desenvolver o projeto básico arquitetônico da nova casa rubro-negra. Com base nas análises das três empresas, a Arena Events poderá refinar aspectos técnicos da proposta, como o formato da arena, número de acessos, sistema de fundação, prazos de execução e o cronograma de entrega.
A expectativa é que, após a conclusão desses estudos, o Flamengo tenha em mãos um relatório técnico completo, que permitirá avançar para a etapa de aprovação de licenças e detalhamento do projeto executivo, além de facilitar a captação de investimentos e parcerias comerciais.
Sonho antigo da torcida mais próxima da realidade
A construção de um estádio próprio é um antigo desejo da torcida do Flamengo, que até hoje manda seus jogos no Maracanã por meio de um regime de concessão dividido com o Fluminense. Com o Gasômetro, o clube busca independência financeira, maior controle sobre receitas de bilheteria, naming rights, eventos e fidelização dos sócios-torcedores.
O projeto também promete impulsionar a região do Porto Maravilha, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, com geração de empregos e valorização urbana, algo que já é observado em outras cidades do Brasil onde novos estádios foram erguidos.















