Estado do Rio amplia cerco digital e prevê mais de 245 mil câmeras até 2028

Estado do Rio amplia cerco digital

O Estado do Rio amplia cerco digital ao anunciar que pretende chegar a mais de 245 mil câmeras de vigilância até 2028, com uso intensivo de inteligência artificial. A expansão envolve equipamentos públicos e privados integrados ao sistema estadual de monitoramento, que já atua em dezenas de municípios fluminenses.

Atualmente, mais de 32 mil câmeras estão conectadas ao Centro Integrado de Comando e Controle, distribuídas em 23 cidades, incluindo a capital. A previsão é instalar pelo menos mais 213 mil dispositivos nos próximos anos, elevando em mais de 600% a capacidade de vigilância em vias públicas.

Segundo a Polícia Militar, os chamados “olhos eletrônicos” já apresentaram resultados práticos. Desde setembro de 2024, o sistema permitiu a recuperação de mais de mil veículos por meio da leitura automática de placas, a localização de 80 pessoas desaparecidas e a prisão de 753 suspeitos a partir do reconhecimento facial.

O major Agdan Miranda Fernandes, diretor de Infraestrutura e Tecnologia da corporação, afirmou que o monitoramento funciona inclusive em áreas onde a internet é controlada por facções ou milícias. De acordo com ele, as câmeras utilizam links oficiais de grandes operadoras, o que impede interferências criminosas na transmissão de dados.

Grande parte dos equipamentos atualmente em operação ainda funciona com videomonitoramento tradicional. No entanto, uma parcela já está integrada a sistemas inteligentes capazes de cruzar imagens com bancos de dados da Polícia Civil, do Detran e do Banco Nacional de Mandados de Prisão, seguindo protocolos internacionais de transmissão.

Para fevereiro, está prevista a licitação do Programa Sentinela, que prevê a instalação de mais de 200 mil câmeras com IA em todo o estado. O investimento estimado é de cerca de R$ 1,4 bilhão, contemplando equipamentos e softwares. As primeiras implantações devem ocorrer em Copacabana e no município de Belford Roxo.

No âmbito municipal, a Prefeitura do Rio também avança com a instalação de supercâmeras inteligentes, integradas ao sistema Civitas. Os equipamentos, posicionados em vias expressas e pórticos de entrada da cidade, são capazes de identificar milhares de situações simultaneamente, como deslocamentos suspeitos e veículos associados a crimes.

Desde junho de 2024, o Civitas contribuiu para a solução de milhares de inquéritos e gerou centenas de milhares de alertas em tempo real às forças de segurança. A meta municipal é alcançar 15 mil supercâmeras até 2028, ampliando o alcance do monitoramento urbano.

Especialistas destacam que a tendência é a incorporação definitiva da inteligência artificial diretamente nas câmeras, reduzindo o tempo de resposta e aumentando a eficiência do sistema. Com isso, o cerco digital no Rio passa a operar de forma cada vez mais integrada, automatizada e presente no cotidiano da população.

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