Esquema ligado a Adriano da Nóbrega envolve lavagem milionária e vira alvo no RJ

Adriano da Nóbrega,

O esquema ligado a Adriano da Nóbrega voltou ao centro das investigações no Rio de Janeiro após uma operação realizada pelo Ministério Público do Estado (MPRJ), que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão nesta quinta-feira. A ação mira integrantes de uma organização criminosa suspeita de movimentar grandes quantias por meio de lavagem de dinheiro.

Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas por participação no esquema. Entre os alvos está um deputado federal, cuja identidade não foi divulgada até o momento. Segundo o Ministério Público, não há mandados de prisão expedidos contra o parlamentar.

De acordo com as apurações, o grupo atuava principalmente na ocultação de recursos oriundos do jogo do bicho, com forte presença na Zona Sul do Rio, especialmente em Copacabana. A organização teria ligação direta com Adriano da Nóbrega, apontado como um dos principais nomes por trás da estrutura criminosa.

As investigações revelaram que empresas de fachada eram utilizadas para dar aparência legal ao dinheiro ilícito. Apenas quatro dessas empresas movimentaram mais de R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano. Entre os estabelecimentos identificados estão um depósito de bebidas, um bar, um restaurante e um quiosque de serviços em um shopping na Zona Norte, que sozinho registrou cerca de R$ 2 milhões em créditos em apenas seis meses.

Além da lavagem de dinheiro, também foram identificadas estratégias para ocultação de patrimônio. Dois imóveis rurais avaliados em aproximadamente R$ 3,5 milhões, ligados ao ex-miliciano, estavam registrados em nome de terceiros. Após a morte de Adriano, os bens teriam sido negociados mesmo com investigações em andamento.

As apurações indicam ainda que a organização criminosa permaneceu ativa mesmo após a morte do ex-policial. O grupo teria ampliado suas atividades, incluindo práticas como agiotagem, contravenção e atuação no mercado imobiliário irregular. A gestão das operações teria ficado sob responsabilidade da viúva de Adriano, Julia Lotufo.

As denúncias foram divididas em três ações penais distintas, envolvendo lavagem de dinheiro ligada ao jogo do bicho, estruturação da organização criminosa e ocultação de bens. A operação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência.

Adriano Magalhães da Nóbrega foi ex-capitão do Bope e apontado como um dos principais líderes de milícia no Rio de Janeiro. Ele também foi associado ao chamado “Escritório do Crime”, grupo suspeito de envolvimento em execuções e em esquemas de contravenção. Adriano morreu em fevereiro de 2020, durante uma operação policial no interior da Bahia.

Com o avanço das investigações, o caso segue revelando novos desdobramentos e reforça o foco das autoridades no combate às estruturas financeiras que sustentam organizações criminosas no estado.

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