O esquema de pirâmide no RJ entrou na mira das autoridades nesta sexta-feira (17), quando a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro iniciaram uma operação para cumprir 11 mandados de prisão contra integrantes de uma associação criminosa suspeita de aplicar golpes financeiros.
De acordo com as investigações, o grupo atuava desde 2020 e teria causado um prejuízo estimado em R$ 7,5 milhões a centenas de vítimas. Há pelo menos 165 registros de ocorrências e ações judiciais relacionadas ao caso.
Segundo o delegado responsável pelas investigações, há indícios de que o volume de dinheiro movimentado pelo grupo ultrapasse R$ 50 milhões.
“Nós temos informações seguras de que esses valores que eles movimentavam ultrapassavam R$ 50 milhões”, afirmou o delegado Marcos Buss.
Até a última atualização, um dos alvos havia sido preso. Igor Aguiar Rodrigues Gonçalves é apontado como integrante do chamado núcleo comercial do esquema, responsável pela captação e manutenção das vítimas. Outro investigado, Luiz Gustavo de Oliveira Fernandes, já estava preso.
Os 11 suspeitos foram denunciados por organização criminosa voltada à prática de pirâmide financeira, além de crimes contra a economia popular e estelionato. Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa da Capital.
As investigações apontam que o grupo criou um conglomerado com 19 empresas de fachada, ligadas principalmente aos grupos LGO e A&C. Todas estavam registradas no mesmo endereço, na Rua da Assembleia, no Centro do Rio, o que ajudava a dar aparência de legalidade às atividades.
“Eles atraíam as vítimas nas redes sociais, ostentando uma vida de muito luxo”, destacou o delegado.
Segundo o Ministério Público, as empresas não possuíam registro na Comissão de Valores Mobiliários e operavam fora do sistema financeiro nacional, mesmo oferecendo supostos investimentos ao público.
O funcionamento do golpe seguia o modelo conhecido como esquema Ponzi. Os investigados prometiam rendimentos de cerca de 3% ao mês e, inicialmente, realizavam pagamentos para conquistar a confiança das vítimas.
Com o tempo, os investidores eram incentivados a aplicar mais dinheiro e indicar novos participantes. Quando o fluxo de entrada diminuía, os saques eram bloqueados e o esquema começava a ruir.
“A promessa era de rendimentos muito superiores aos praticados no mercado. Então, as vítimas se sentiam atraídas por esses rendimentos”, explicou o delegado.
“Prometiam esses rendimentos com ‘baixo risco’, mas, na verdade, nada era produzido. Os mais antigos desse esquema de pirâmide eram remunerados pelos novos”, completou.
Ainda segundo a polícia, quando uma das empresas começava a acumular reclamações, os investigados abriam uma nova pessoa jurídica e migravam os clientes, mantendo o golpe em funcionamento.
Entre os casos identificados, há vítimas que chegaram a investir valores elevados. Em uma das situações, uma pessoa aplicou cerca de R$ 1,5 milhão em contratos sucessivos.
Outro relato aponta que uma vítima foi convencida a contrair um empréstimo para investir e acabou ficando com a dívida após não conseguir resgatar o dinheiro.
As autoridades também investigam possíveis conexões do grupo com outros esquemas semelhantes, ampliando o alcance da apuração.
A operação segue em andamento e busca localizar os demais envolvidos, além de reunir provas para aprofundar as acusações.
O caso reforça o alerta sobre promessas de lucro fácil e destaca a importância de verificar a regularidade de investimentos antes de aplicar dinheiro.














