A deputada federal Erika Hilton registrou ocorrência policial após receber ameaças de morte e ofensas transfóbicas por e-mail na manhã deste domingo, 4 de outubro de 2026. A parlamentar precisou alterar o cronograma de votação e reforçar a segurança pessoal.
Ameaça de morte por e-mail alterou rotina de votação da deputada
A mensagem intimidatória chegou à caixa postal eletrônica da parlamentar pouco antes de ela sair de casa para votar. No texto, o remetente afirmava possuir os dados particulares e o endereço residencial da deputada, utilizando termos agressivos e ameaças diretas à vida dela.
Com o assunto marcado como alerta derradeiro, o remetente declarava a intenção de cometer um ataque violento e finalizava a mensagem com uma ameaça explícita de morte. O texto também continha declarações transfóbicas direcionadas contra a parlamentar.
Diante do teor das mensagens, a equipe de segurança da deputada adotou medidas imediatas de precaução. O trajeto planejado foi revisto, o horário de comparecimento à seção eleitoral sofreu adiamento e a escolta que a acompanha no dia a dia recebeu reforço de agentes.
O material recebido aponta o uso de um provedor chamado Onion Mail, ferramenta de comunicação eletrônica comumente utilizada para tentar ocultar a origem e a identificação do remetente na internet. A assessoria da deputada encaminhou o conteúdo completo às autoridades policiais para perícia técnica.
O que já se sabe sobre o caso
O caso está formalmente sob análise policial por meio de boletim de ocorrência registrado pela equipe jurídica da deputada. A representação pede apuração com urgência para identificar o Protocolo de Internet (IP) de onde partiram as ofensas e as ameaças.
Especialistas da área de crimes cibernéticos devem analisar o cabeçalho técnico da mensagem recebida para rastrear possíveis rastros digitais deixados pelo autor. Até o momento, nenhum suspeito formal foi detido ou localizado.
Apesar da tentativa de camuflagem por meio de serviços criptografados, dados de tráfego e requisições judiciais a intermediadores de rede compõem as primeiras etapas da apuração criminal. A parlamentar declarou que aguarda a rápida identificação e responsabilização penal do remetente.
Quem responde por isso e como ocorrem as investigações
Casos envolvendo ameaças dirigidas a representantes públicos com mandato federal costumam mobilizar a Polícia Federal ou delegacias especializadas em repressão a crimes virtuais da Polícia Civil, dependendo da competência estabelecida pelas autoridades no boletim.
Na Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), investigações de intimidação digital e ataques transfóbicos são apuradas por delegacias distritais ou encaminhadas à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), situada na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, Zona Norte carioca.
Essas divisões possuem equipamentos específicos para realizar a custódia das provas digitais e solicitar mandados de quebra de sigilo telemático perante a Justiça. Casos de violência política motivados por gênero ou identidade sexual também contam com apoio de órgãos especializados do Ministério Público.
O que fazer se você for vítima de ameaça ou crime na internet
Qualquer cidadão do Rio de Janeiro ou de outras localidades que passar por situação semelhante de ameaça, chantagem ou perseguição digital deve preservar as provas imediatamente. Nunca apague a mensagem recebida, a conversa ou o e-mail.
Tire capturas de tela (prints) em que apareçam a data, o horário exato e o endereço completo do remetente ou o número de telefone. Caso se trate de mensagem eletrônica, salve o arquivo bruto do cabeçalho da mensagem (código-fonte), pois ele contém dados essenciais para o rastreio pericial.
Com esse material em mãos, a vítima pode formalizar a denúncia por meio da Delegacia Eletrônica da Polícia Civil ou comparecer à delegacia mais próxima da sua residência. Para validar as imagens perante um tribunal, também é recomendável lavrar uma ata notarial em qualquer cartório de notas.
Como denunciar casos de ameaça e crimes digitais no Rio
Informações anônimas sobre autores de ameaças, porte ilegal de armas ou grupos extremistas que atuam praticando violência política ou ódio online podem ser repassadas de forma segura e sem identificação:
- Disque Denúncia: Atendimento telefônico pelo número (21) 2253-1177 ou pelo aplicativo oficial, com funcionamento 24 horas por dia e garantia total de sigilo da identidade.
- Polícia Militar: Em caso de risco iminente ou perigo flagrante, a população deve ligar imediatamente para o 190 para solicitação de viatura no local.
- Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI): Atende ocorrências de alta complexidade em ambiente virtual e funciona de segunda a sexta-feira no Complexo da Cidade da Polícia, na Rua Dom Hélder Câmara, 2066, Benfica.
O acompanhamento do caso de Erika Hilton segue sob tutela das forças de segurança, que monitoram novas tentativas de intimidação ocorridas durante o período de votação e apuração eleitoral.














