Entregadores de aplicativo poderão ter acesso prioritário aos restaurantes populares do Rio de Janeiro. A medida foi anunciada pelo secretário municipal de Trabalho e Renda, Manoel Vieira Gomes Junior, durante uma reunião na Câmara dos Vereadores, nesta quarta-feira (18). O objetivo é combater a grave insegurança alimentar enfrentada por esses trabalhadores.
A decisão surgiu após a apresentação do relatório “Entregas da Fome”, que revelou um cenário alarmante de fome e precarização nas condições de vida dos entregadores. Segundo o levantamento, mais de 57% desses profissionais trabalham todos os dias da semana, e 60% passam pelo menos nove horas por dia nas ruas, muitas vezes utilizando bicicletas sem motor e sem qualquer vínculo formal com as plataformas.
“É uma classe que não está tendo muito acolhimento. Então é muito importante que a Câmara Municipal olhe para esses trabalhadores. Já vamos começar a estruturar essa ação para que eles tenham prioridade nos restaurantes populares do município”, afirmou o secretário Manoel Vieira durante o encontro.
Proposta ganha força na Câmara
O anúncio foi feito durante a segunda reunião da Comissão Especial de Segurança Alimentar e Nutricional da Câmara, presidida pela vereadora Maíra do MST (PT). Ela confirmou que um ofício já está sendo elaborado para formalizar a proposta junto ao Executivo.
“O compromisso do secretário é um passo importante, e por isso seguiremos atentos e mobilizados para que a garantia de acesso à alimentação seja concretizada. Esses trabalhadores sustentam a cidade, literalmente alimentam nossa população e definitivamente não podem ser ignorados”, destacou Maíra.
Relatório revela fome entre trabalhadores
O relatório “Entregas da Fome” aponta que muitos entregadores, além da longa jornada de trabalho, enfrentam cortes de refeições e episódios frequentes de fome. A ausência de proteção trabalhista agrava ainda mais a situação desses profissionais, que, na maioria, são homens jovens, negros e chefes de família.
Participação de movimentos sociais
A reunião contou com a presença de representantes de movimentos sociais, universidades e organizações civis. Estiveram na mesa Daniela Sanches Frozi (Instituto Djanira), Taís de Souza Lopes (Instituto de Nutrição Josué de Castro/UFRJ), Julio Mendes (Consea-Rio), Carla Cruz (Levante Popular da Juventude), os vereadores Maíra do MST (PT) e Rick Azevedo (PSOL), além de Marcelo Russo (Movimento dos Trabalhadores Sem Direito) e Norton Tavares (Ação da Cidadania).
A proposta agora seguirá em tramitação para se transformar em uma política pública que beneficie diretamente os entregadores da cidade do Rio de Janeiro.














