Eles tinham bicos, membros longos, cerca de um metro de tamanho e em sua dieta alimentavam-se de insetos. Estes são os silessauros, um fóssil de nova espécie pré-histórica. E pesquisadores brasileiros descobriram em Santa Cruz do Sul material fóssil de uma nova espécie de réptil que viveu a cerca de 237 milhões de anos
– Descrevemos características do Itaguyra occulta, um pequeno silessauro que viveu ao lado de parentes distantes dos mamíferos e répteis, como rincossauros e ancestrais dos crocodilos. Seu nome deriva do tupi e do latim, remete à forma como seus restos foram encontrados ocultos entre outros fósseis. – explica o líder da pesquisa Dr. Voltaire Paes Neto da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e pós-doutorando no Museu Nacional, junto com outros pesquisadores.
A espécie descrita apresentava hábitos alimentares variados, sendo, em geral insetívoros, mas também herbívoros. Eram pequenos répteis, com bico na mandíbula e membros longos, características de animais quadrúpedes. Eles foram comuns no período Triássico em diversas partes do mundo.
Os silessauros até hoje foram encontrados apenas no Rio Grande do Sul. A descoberta do Itaguyra oculta junta-se a outros de sua espécie encontrados no mundo como o Gamatavus antiguus e o Gondwanax paraisensis. Para os pesquisadores brasileiros a descoberta brasileira será uma luz sobre nosso passado
– Esta descoberta contribui para a compreensão da biodiversidade do passado gaúcho. É mais um tijolo colocado na construção de um panorama sobre a fauna, o ambiente e o clima do passado do Rio Grande do Sul. E, como todos já sabemos, é somente quando olhamos para a dinâmica da Terra e da vida no passado que podemos compreender o futuro do nosso planeta – ensina o professor Heitor Francischini, coautor do estudo.
A pesquisa começou na UFRGS e, ao longo dos anos, incorporou cientistas de diversas instituições, como o Museu Nacional (UFRJ), Cappa/UFSM, Unipampa e o Museo Argentino de Ciencias Naturales. O estudo também recebeu apoio da Faperj e do projeto INCT-Paleovert.














