Empresas de internet deixam regiões do RJ após ação de criminosos e vêm suspendendo operações em diversas áreas da Região Metropolitana por causa de ameaças, ataques e cobranças ilegais impostas por grupos armados.
Segundo relatos de empresários, os criminosos exigem o pagamento de taxas para permitir o funcionamento dos serviços e impedem a atuação de concorrentes nas regiões dominadas.
“Os provedores ligados ao crime organizado no Rio de Janeiro estão tomando todas as operações, não apenas das operadoras, mas também impedindo que novos empresários iniciem atividades na Região Metropolitana. Hoje é impossível”, afirmou um empresário, sob condição de anonimato.
Ainda de acordo com os relatos, as abordagens costumam começar com intimidações e podem evoluir para ações violentas. “Normalmente, chegavam homens de moto avisando que a área era tomada, que já tinha dono. Primeiro vinha a ameaça e, muitas vezes, depois apareciam pessoas armadas para consolidá-la”, contou.
Os impactos já são visíveis em diferentes municípios. Em São Gonçalo, dezenas de bairros deixaram de receber atendimento. Em Niterói, mais de 30 pontos foram afetados. Outras cidades como Magé, Rio Bonito e Tanguá também registraram suspensão dos serviços.
Casos de violência direta contra as empresas também foram registrados. Em Niterói, um veículo foi apedrejado. Já em Paracambi, carros de empresas foram incendiados após a recusa em pagar valores exigidos por criminosos.
Segundo denúncias, os ataques estariam ligados a grupos que tentam monopolizar o fornecimento de internet nas áreas dominadas, obrigando moradores a contratar apenas serviços controlados por eles.
Em Japeri, a situação também preocupa. Empresários relataram que, além de veículos, até estruturas físicas foram alvo de ataques. Diante do cenário, empresas decidiram interromper os serviços como medida de segurança.
A escalada da violência também tem afetado os trabalhadores do setor. Funcionários relatam medo constante durante as operações e, em alguns casos, problemas emocionais após episódios de ameaça.
“Quando a equipe chega para fazer o reparo, aparecem dois homens em uma moto, geralmente com o garupa armado. Eles mandam parar o serviço, ameaçam incendiar o veículo e atirar na equipe”, relatou um coordenador de equipes de campo.
Diante da situação, empresários chegaram a se unir para denunciar o caso e cobrar providências das autoridades, além de comunicar clientes sobre a interrupção dos serviços.
A Polícia Civil informou que investiga a atuação de facções criminosas de forma contínua, enquanto a Polícia Militar afirmou ter realizado operações e reforçado o policiamento em áreas afetadas.
O avanço desse tipo de prática mostra como o impacto do crime organizado vai além da segurança — atingindo serviços essenciais e o cotidiano de milhares de moradores na Região Metropolitana do Rio.














