O luminol da UFRJ, produto já consagrado no uso forense pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, poderá ganhar uma nova aplicação fora do campo criminal. A substância, desenvolvida pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, está em negociação para ser licenciada internacionalmente por uma empresa americana, com foco no uso hospitalar para controle de contaminações.
De acordo com reportagem do Jornal O Dia, a Belcher Pharmaceuticals, sediada na Flórida, está tratando com a Agência UFRJ de Inovação para obter os direitos da patente por um período de dez anos. A proposta inclui um investimento de R$ 4,5 milhões por parte da farmacêutica e o pagamento de royalties à universidade com base nas vendas futuras do produto.
O objetivo é adaptar o luminol para identificar vestígios de sangue invisíveis a olho nu em ambientes hospitalares. Com essa aplicação, o composto pode se tornar uma ferramenta essencial para garantir a eficácia de processos de limpeza em locais como centros cirúrgicos, unidades de terapia intensiva (UTIs), salas de esterilização e áreas de hemodiálise, onde a presença de resíduos biológicos representa riscos graves à saúde dos pacientes.
O professor Cláudio Cerqueira Lopes, do Instituto de Química da UFRJ, é o responsável pela criação da fórmula nacional. Ele explica que o uso do luminol fora da esfera criminal tem um enorme potencial. “O luminol pode identificar sangue oculto em áreas hospitalares, garantindo um controle rigoroso da limpeza. Em um cenário onde infecções hospitalares causam cerca de 100 mil mortes anuais no Brasil, sua aplicação pode representar um avanço significativo na segurança dos pacientes”, destacou o pesquisador.
A eficácia da substância como ferramenta de verificação já foi observada em países como Estados Unidos, França e Holanda, onde versões internacionais do luminol têm sido utilizadas em hospitais para reforçar os protocolos de higienização. No entanto, o produto desenvolvido pela UFRJ apresenta vantagens técnicas que despertaram o interesse do mercado estrangeiro.
Segundo Emanuel Katori, presidente da Belcher no Brasil, a versão brasileira do luminol supera os produtos atualmente disponíveis no exterior. “O luminol da UFRJ é o melhor do mundo. Ele tem rendimento elevado, não gera resíduos tóxicos e permanece ativo por até seis meses após aberto. Em comparação, os similares disponíveis no mercado internacional duram, em média, apenas duas horas”, afirmou o executivo.
O contrato em negociação com a universidade prevê não apenas o licenciamento exclusivo da tecnologia, mas também um compromisso com a expansão da aplicação do luminol em diferentes setores da saúde pública e privada. A Belcher pretende iniciar estudos de viabilidade e testes em hospitais brasileiros antes de lançar o produto em outros mercados.
Para a UFRJ, o licenciamento representa mais do que retorno financeiro. É também uma oportunidade de reforçar a importância da ciência nacional e da inovação produzida nas universidades públicas. A expectativa é que a parceria contribua para o reconhecimento do potencial científico do Brasil e estimule novos investimentos em pesquisas voltadas à saúde pública.
O uso do luminol como detector de resíduos hemáticos pode transformar a forma como hospitais verificam suas rotinas de limpeza, oferecendo uma camada adicional de controle e segurança. Além de detectar falhas nos processos de higienização, a ferramenta permitirá o treinamento mais eficaz de equipes e o reforço na prevenção de infecções hospitalares, que seguem como uma das principais causas de complicações médicas no país.
O avanço das negociações será acompanhado pela Agência UFRJ de Inovação, que cuida dos trâmites legais e técnicos relacionados às patentes da universidade. Caso o acordo seja formalizado, os testes práticos devem começar ainda este ano.














