Eleições 2026: Eduardo Paes em ascensão irreversível? O novo programa de segurança redefine o jogo eleitoral

Candidatos nas eleições 2026

Por Victor Travancas

As eleições de 2026 no Rio de Janeiro, antes marcadas por um cenário fragmentado e indefinido, ganharam um novo contorno estratégico com a movimentação do Prefeito Eduardo Paes. 

A divulgação da última pesquisa eleitoral já o apontava como líder na corrida pelo Palácio Guanabara. Contudo, foi a sua resposta imediata e precisa após os números que consolidou sua posição: a apresentação de um inédito Projeto de Lei Municipal voltado à segurança pública urbana.

Esse projeto, longe de ser apenas simbólico, toca em uma das maiores preocupações da população: os crimes de pequeno potencial ofensivo, como furtos, assaltos e roubos diários. Em uma manobra política sagaz, Paes transferiu, indiretamente, o ônus das falhas de segurança para o governo estadual. Ao propor uma solução municipal para um problema tradicionalmente tratado pelo Estado, ele expôs a inércia do Palácio Guanabara, aumentando a rejeição do atual governo.

Dinâmica Política: A Divisão dos Adversários e a Consolidação de Paes

Outro fator que impulsiona Eduardo Paes é a fragmentação de seus adversários. 

O campo governista, que poderia se unir em torno de uma candidatura forte, encontra-se dividido entre o vice-governador Thiago Pampolha e o deputado Bacellar. 

Ambos, embora figuras conhecidas nos bastidores políticos, carecem de reconhecimento popular. Na prática, essa divisão pulveriza o voto governista e potencializa ainda mais o nome de Paes como o único candidato viável com capilaridade estadual.

André Ceciliano e o interior

Neste mesmo final de semana, após a pesquisa, uma reunião estratégica convocada por André Ceciliano, ex-presidente da ALERJ e articulador influente, reuniu prefeitos do interior em torno de Eduardo Paes. A adesão foi maciça: apenas seis prefeitos, entre dezenas convidados, não compareceram. 

Esse movimento revela algo essencial nas disputas majoritárias: a força das alianças regionais, que garantem votos fora do eixo metropolitano.

Fatores Geopolíticos Reforçam o Palanque de Paes

A conjuntura internacional também joga a favor do prefeito. Em julho, o Rio de Janeiro sediará a cúpula do BRICS, um evento de alta visibilidade global. Mais do que um encontro diplomático, a cúpula será palco para Paes se projetar como líder anfitrião, reforçando sua imagem de gestor eficiente. Complementando esse cenário favorável, o Decreto Presidencial que confere ao Rio de Janeiro o status de capital honorária do Brasil é um ativo simbólico poderoso, evocando orgulho cívico e beneficiando diretamente quem estiver à frente da cidade.

Sem reação dos oponentes: O caminho está livre?

Em análise eleitoral, a inércia dos adversários diante de um movimento tão bem orquestrado costuma ser fatal. A ausência de respostas contundentes por parte de Pampolha, Bacellar ou qualquer outro nome competitivo indica um vácuo estratégico que Paes preenche com facilidade. O ciclo eleitoral é dinâmico, mas, neste momento, Eduardo Paes não apenas lidera — ele domina o tabuleiro político fluminense.

Se essa tendência se mantiver, a eleição para o governo do Rio pode ser decidida não nos palanques do segundo semestre de 2026, mas nas movimentações cirúrgicas e pragmáticas que estamos presenciando agora. Em política, como na guerra, quem controla o ritmo das ações define geralmente o desfecho. E, por ora, Eduardo Paes é quem dita as regras do jogo.

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Victor Travancas é advogado, mestre e doutor em Direito Constitucional. Teve inúmeras experiências na política, sendo assessor de Cesar Maia, Marcelo Crivella e do governador Cláudio Castro, onde exercia a função de subsecretário de gabinete do governador Cláudio Castro, de onde saiu após realizar diversas denúncias de corrupção no governo.

 

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