Eduardo Paes se retrata após polêmica religiosa ao se manifestar publicamente nesta sexta-feira (2) sobre críticas feitas por representantes de religiões de matriz africana. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, utilizou as redes sociais para pedir desculpas e reafirmar seu posicionamento em defesa da diversidade religiosa.
A reação ocorreu após questionamentos a uma postagem em que o prefeito classificou como preconceituoso um artigo escrito pelo babalawô Ivanir dos Santos, publicado no jornal O Globo. No texto, o autor abordou a presença de um palco gospel na programação do Réveillon de Copacabana e a perda de protagonismo de manifestações afro-brasileiras na celebração.
“Quero reafirmar, de forma muito clara, meu compromisso com o povo de axé e com as religiões de matriz africana. Não foram poucas as vezes em que saí em defesa dessas tradições, do respeito à fé e do combate à intolerância religiosa. E seguirei sempre assim”, afirmou o prefeito em publicação nas redes sociais.
Além do pedido de desculpas, Paes anunciou que irá atender à sugestão de criar uma estátua em homenagem a Tata Tancredo, considerado um dos mais importantes líderes religiosos afro-brasileiros do século 20. Segundo o prefeito, a iniciativa será construída em diálogo com representantes das religiões de matriz africana.
“Registro que a sugestão para a criação de uma estátua em homenagem a Tata Tancredo será atendida. Vou dialogar com lideranças religiosas para construir, juntos, a melhor forma de fazer essa homenagem tão importante para a cidade”, completou.
No artigo que motivou a controvérsia, Ivanir dos Santos destacou que elementos tradicionais da virada do ano no Rio, como o uso de roupas brancas, as oferendas ao mar e os rituais dedicados a Iemanjá, foram fundamentais na construção simbólica do Réveillon carioca ao longo das décadas. Segundo ele, essas práticas se consolidaram como marcas culturais reconhecidas por moradores e turistas.
Para o babalawô, no entanto, essas manifestações perderam espaço nos últimos anos, especialmente com a institucionalização de palcos religiosos específicos, como o gospel, sem a criação de iniciativas equivalentes voltadas às religiões afro-brasileiras. A discussão reacendeu o debate sobre representatividade religiosa e pluralidade cultural nos grandes eventos públicos da cidade.














