Duplicação da Serra das Araras deve ser concluída antes do prazo, diz CCR RioSP

duplicação da Serra das Araras

A duplicação da Serra das Araras pode ser concluída antes do previsto. Segundo a CCR RioSP, concessionária responsável pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116), as obras que modernizam o trecho entre Piraí e Paracambi, no Sul Fluminense, atingiram 50% de avanço físico em outubro. A expectativa é de que o projeto seja entregue totalmente até 2027 — dois anos antes do prazo inicial estabelecido em contrato.

Considerado o ponto mais temido pelos motoristas que trafegam entre São Paulo e Rio de Janeiro, o trecho de oito quilômetros da serra, inaugurado em 1928, passa por uma das maiores intervenções já realizadas na Dutra. Com a nova configuração, serão construídos 24 viadutos sobre o trajeto atual, ampliando de duas para quatro faixas por sentido, o que deve reduzir significativamente o número de acidentes e o tempo de viagem.

De acordo com Virgilius Morais, gerente de Engenharia e Obras da CCR RioSP, o novo traçado é mais suave e seguro. “A gente corrige o traçado em relação ao original. É uma condição muito mais favorável para a segurança, com menos acidentes. É uma obra emblemática, em um gargalo do país. É um bem para a sociedade, melhorar a vida das pessoas através da mobilidade”, afirmou.

Oito dos novos viadutos devem ser entregues já no primeiro trimestre de 2026, provavelmente em fevereiro. Nessa fase, o fluxo de veículos da pista de subida será desviado para as novas estruturas, facilitando o andamento das demais etapas da duplicação.

No canteiro de obras em Seropédica, onde o projeto começa, cerca de 2,5 mil operários trabalham em dois turnos. Lá, 450 vigas estão sendo fabricadas para os viadutos — 102 delas já instaladas. As peças, que podem chegar a 41,8 metros de comprimento, exigem operações especiais com fechamento temporário da pista durante o transporte e o içamento.

As chamadas supercargas, compostas por veículos que transportam cargas de grandes dimensões, serão as mais beneficiadas com a duplicação. Hoje, caminhões precisam trafegar em contramão na pista de subida — por ser menos sinuosa —, o que causa interdições. Com a nova via, o tráfego poderá ser mantido normalmente, garantindo maior fluidez e segurança.

Para abrir espaço às novas pistas, parte dos morros está sendo cortada. O material extraído — cerca de 370 mil metros cúbicos de rocha, de um total de 600 mil — é reaproveitado na própria obra. As detonações, feitas entre segunda e quinta-feira, das 13h às 15h, exigem interdições parciais do sentido São Paulo.

Com custo estimado em R$ 1,5 bilhão, a duplicação da Serra das Araras também prevê acostamentos, duas áreas de escape para veículos com falha nos freios e três passarelas para pedestres. A nova pista elevará o limite de velocidade de 40 km/h para 80 km/h, reduzindo congestionamentos e o risco de acidentes graves.

Quando concluídas, as novas pistas substituirão o atual trajeto de subida, enquanto a pista de descida será destinada apenas aos moradores locais e utilizada como via de contingência em casos de emergência.

A Serra das Araras é um dos pontos mais importantes da Dutra, responsável pelo escoamento de cerca de metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Por ela passam diariamente caminhões que transportam produtos químicos, minérios, alimentos e outros insumos — o equivalente a quase 44 milhões de toneladas por ano, segundo dados do Ministério dos Transportes.

Para a CCR RioSP, o avanço da duplicação representa um marco de infraestrutura. “Em 18 meses, chegamos a 50% de progresso físico. Nossa expectativa é concluir as duas pistas até o primeiro trimestre de 2027”, concluiu Virgilius Morais.

Com o novo traçado e tecnologia de engenharia aplicada, a duplicação da Serra das Araras promete eliminar um dos gargalos mais perigosos da Dutra e transformar o trecho histórico em um corredor moderno, seguro e eficiente para o transporte entre Rio e São Paulo.

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