Drogas sintéticas no Rio ganham espaço em festas e elevam atendimentos médicos

Drogas sintéticas no Rio

As drogas sintéticas no Rio têm ganhado espaço em ambientes de lazer noturno, grandes eventos e no turismo internacional, ampliando a procura por atendimentos médicos e preocupando autoridades de saúde. Substâncias conhecidas como “drogas dos ricos”, entre elas a chamada cocaína rosa (tusi), opioides e estimulantes de alta potência, passaram a circular com mais frequência na cidade.

Relatos de médicos, pesquisadores e dados oficiais indicam que o fenômeno extrapolou nichos específicos. Embora ainda fortemente associado a festas e a práticas como o chemsex — sexo sob efeito de drogas —, o consumo já alcança diferentes perfis sociais, aumentando os riscos de intoxicação, dependência e morte.

Especialistas apontam que parte dos usuários busca “turbinar” o desempenho sexual e prolongar sensações de prazer. Para isso, recorrem a substâncias que elevam neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina. Segundo médicos, esses efeitos podem se sobrepor aos próprios hormônios do prazer, mas trazem riscos elevados à saúde.

Um caso que chamou atenção ocorreu em setembro do ano passado, quando um turista estrangeiro foi encontrado morto em uma trilha da Zona Sul do Rio. A polícia localizou indícios de uso de GHB, metanfetamina e cocaína. O GHB, um solvente industrial que provoca relaxamento e euforia, pode ser fatal, especialmente quando combinado a outras drogas.

Entre as substâncias mais populares está o tusi, conhecido como cocaína rosa. Apesar do nome, o produto não contém cocaína em sua composição original e pode misturar cetamina, MDMA, metanfetamina e outros compostos, variando conforme o produtor. Em festas de réveillon e blocos de carnaval, o preço pode ultrapassar R$ 1.000 por grama.

Pesquisadores observam que letras de músicas e conteúdos nas redes sociais ajudam a naturalizar o consumo. O fenômeno também reflete uma tendência global. Dados do Relatório Mundial sobre Drogas, do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, mostram crescimento do consumo de estimulantes do tipo anfetamina em diversos países.

No Rio de Janeiro, a presença de organizações criminosas estruturadas facilita a distribuição dessas substâncias. Segundo relatos, até mesmo pessoas ligadas ao tráfico evitam algumas drogas sintéticas devido ao alto poder viciante e à imprevisibilidade dos efeitos.

O impacto já aparece na rede pública de saúde. Dados da Secretaria Municipal de Saúde indicam aumento expressivo no atendimento de pacientes relacionados ao uso de álcool e drogas. Os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) registraram crescimento superior a 50% no número de acompanhamentos entre 2023 e 2024, tendência que segue em 2025.

Toxicologistas alertam para a variedade química cada vez maior. Entre as apreensões recentes estão canabinoides sintéticos, catinonas conhecidas como “sais de banho”, opioides como o fentanil e benzodiazepínicos de design. A criatividade do mercado ilegal, segundo especialistas, torna o controle ainda mais difícil.

O governo federal também acendeu o alerta para os nitazenos, opioides sintéticos de altíssima potência. Pesquisas indicam que essas substâncias podem ser até 20 vezes mais fortes que o fentanil. Estudos mostram que já houve registros de comprimidos adulterados no Brasil, ampliando o risco de overdose.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que a combinação de alta potência, falta de controle na composição e consumo em ambientes festivos aumenta de forma significativa o risco à saúde. O avanço das drogas sintéticas no Rio amplia o desafio para políticas públicas de prevenção, tratamento e informação, em um contexto de rápida expansão desse mercado no país.

Limpatech