O empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, confessou participação em um esquema de fraude fiscal e firmou um acordo de não persecução penal de R$ 31,9 milhões com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP). A homologação ocorreu no dia 29 de julho, mas, apenas duas semanas depois, ele foi preso por suspeita de pagar propina a um auditor fiscal da Receita Estadual para obter benefícios em créditos tributários.
O acordo foi firmado no âmbito da Operação Monte Cristo, deflagrada em 2020 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Secretaria Estadual da Fazenda. Sidney comprometeu-se a quitar quatro multas milionárias, implementar um programa de compliance na Ultrafarma e doar o equivalente a 50 salários mínimos em produtos farmacêuticos ou dinheiro a instituições públicas ou sociais.
Mesmo após o início da execução do acordo, uma nova investigação, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec), apontou o envolvimento do empresário em um esquema de corrupção bilionário relacionado a créditos de ICMS. A operação, batizada de Ícaro, também prendeu Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop, e Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal acusado de receber R$ 1 bilhão em propina desde 2021.
A Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo informou que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta do servidor envolvido e solicitou ao MP-SP o compartilhamento de informações. Já a Fast Shop declarou que colabora com as investigações. O caso segue em apuração, e o novo processo pode colocar em risco o acordo anteriormente firmado por Sidney Oliveira.














