Dois irmãos mortos em tiroteios no Chapadão em menos de uma semana

Michel Oliveira Fortes

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga as mortes de dois irmãos, vítimas de confrontos armados em áreas dominadas por facções criminosas rivais no Complexo do Chapadão. Os dois casos ocorreram em menos de uma semana. As vítimas, Michel Oliveira Fortes, de 22 anos, e Fábio Oliveira Fortes, de 25, foram baleadas em circunstâncias semelhantes e não resistiram aos ferimentos. Os casos acendem um alerta para a escalada da violência no território disputado pelo Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV), na Zona Norte do Rio.

Michel, o mais novo dos irmãos, trabalhava como marceneiro e foi atingido por disparos na madrugada desta segunda-feira (5), próximo à estação de trem de Costa Barros, durante um intenso tiroteio entre criminosos. Segundo testemunhas, ele não estava armado nem envolvido nos confrontos. Ferido, chegou a ser socorrido para a UPA da região, mas não resistiu. Ele deixa uma filha de dois anos.

Quatro dias antes, Fábio, que trabalhava como barbeiro, foi morto a tiros na Estrada do Camboatá, na comunidade Terra Nostra, também próxima ao Complexo do Chapadão. O crime aconteceu na última quinta-feira (1º) e, de acordo com a Polícia Civil, também ocorreu durante um momento de intenso confronto armado. Fábio era pai de um menino de cinco anos.

“No sábado estávamos enterrando o Fábio e, em dois dias, já perdemos o irmão dele”, lamentou um parente, em depoimento ao jornal O Dia. A família se manifestou nas redes sociais, expressando dor e indignação com as perdas consecutivas. Michel frequentemente postava vídeos de seu trabalho em marcenaria, demonstrando dedicação à profissão.

Ambos os homicídios estão sendo apurados pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que investiga se há relação direta entre os casos e se os irmãos foram vítimas colaterais da guerra entre facções. Até o momento, a polícia não confirmou o envolvimento das vítimas com o tráfico local, nem apresentou suspeitos.

As mortes de Michel e Fábio ocorrem em meio a uma nova onda de violência no Complexo do Chapadão. Desde a manhã desta segunda-feira (5), a Polícia Militar realiza uma operação de repressão ao tráfico na região. Moradores relataram intensos tiroteios, barricadas em chamas e ruas bloqueadas. A ação visa conter o avanço de grupos rivais e restabelecer o controle na área, embora não tenha resultado em prisões ou apreensões até o momento.

O clima de insegurança é crescente. Moradores têm relatado medo de sair às ruas, principalmente nas primeiras horas da manhã e no início da noite, períodos em que os tiroteios se intensificam. Escolas e unidades de saúde chegaram a suspender atividades por conta da violência.

A guerra entre o TCP e o CV por território no Chapadão é antiga, mas ganhou novos capítulos após recentes movimentações estratégicas dentro das comunidades. Segundo fontes da inteligência policial, líderes do tráfico estariam migrando de uma facção para outra, o que acirrou ainda mais a disputa e aumentou os confrontos armados em pontos-chave da Zona Norte.

Organizações de direitos humanos têm cobrado medidas mais efetivas das autoridades para proteger os civis, especialmente os moradores que ficam presos em meio a esse cenário de violência constante. Famílias como a de Michel e Fábio, marcadas por tragédias consecutivas, revelam o custo humano da ausência de políticas públicas que ofereçam segurança e oportunidades em áreas historicamente negligenciadas.

Enquanto a Polícia Militar mantém a operação ativa no Chapadão e redondezas, a Delegacia de Homicídios segue buscando pistas sobre os autores dos crimes. A expectativa da família é que as investigações avancem e que os responsáveis sejam identificados e punidos.

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